08/07/2013 – 07h40
Como sua assessoria de marketing está pintando Dourados como a nova das sete maravilhas do mundo, com tufos de dinheiro das emendas parlamentares para, inclusive, transformar a terra de seu Marcelino em exemplo nacional de mobilidade urbana, o prefeito Murilo Zauith “vai ter que dar” o passe livre não só para os estudantes, como a todos os douradenses. Pelo menos é esta, agora, a pedida dos representantes dos acampados na Câmara Municipal desde a última quinta feira, que exigem extensão deste benefício, já concedido, segundo eles, a 41% da população, como os idosos e portadores de necessidades especiais. “Em princípio reivindicávamos apenas os nossos direitos, mas a pauta evoluiu”, disse um dos líderes do movimento, sem fazer referência direta, mas numa clara alusão à nova moda, fruto da onda de protestos que obrigou mandatários brasileiros – madame Dilma Rousseff à frente – em todos os níveis, a tirarem os traseiros de suas confortáveis poltronas, para, pelo menos, prometerem que vão começar a rever conceitos sobre tudo e sobre todas as demandas da população.
Murilo Zauith, no entanto, talvez nem precise envidar o melhor de seus esforços para passar um melzinho na chupeta dos integrantes de sua ampla bancada de apoio no legislativo para um compromisso mais radical com a estudantada, já que mesmo sendo Dourados toda esta maravilha certamente isto desequilibraria os números da receita municipal tão zelosamente administrada por Waltinho Carneiro. É que na tarde deste domingo, no bem bom do piquenique estudantil na Câmara Municipal, eis que um grupo de sem-teto invadiu o plenário com palavras de ordem “passe livre não, saúde! educação!”. Isto mesmo, uma massa ensandecida, de pessoas humildes, que não têm onde morar, mas reivindicando saúde, educação e tudo mais, numa preocupaçããããão de fazer inveja ao próprio secretário de finanças do município e questionando quem iria pagar a conta do passe livre amplo, geral e irrestrito.
Pelo jeito muitíssimo bem orientada, a líder dos sem-teto, Léia da Silva, garantia que a maioria dos estudantes ali acampada não é de Dourados e que depois de formados eles vão embora. Insistia na pergunta, estampada em alguns cartazes: quem é que paga a conta do passe-livre? Para ela, a prefeitura precisa priorizar as creches, as escolas e a saúde. E, destemida, contrapondo as reivindicações dos acampados, foi logo avisando que seus comandados vieram pra ficar (na Câmara), e que iriam se aboletar “lá em cima” (no plenário) onde até aquele instante, com seus celulares e tablets para alimentar as mídias sociais os estudantes ocupavam as cadeiras e as mesas dos nobres edis. A ocupação da Câmara por estudantes, a maioria universitários da UFGD, UEMS “e até da Unigran” (a Universidade da família Zauith), como fizeram questão de frisar, começou na quinta-feira, depois de uma audiência pública para tratar do transporte coletivo em que, segundo eles, argumentando o que seria quebra de sigilo, a prefeitura teria se recusado a apresentar a planilha de custos da empresa concessionária de transporte coletivo.
Como a maioria dos recursos para fazer este mundão de coisas prometidas por Zauith vem do governo da presidenta do Brasil para todos (e para todas, claro), justo, pois, como querem os estudantes amotinados, que se cumpra o que está dito, sob pena de o Palácio Jaguaribe continuar sendo, aí, literalmente, a casa do povo (ou seria da mãe Joana?) como sempre foi conhecido.
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