17/07/2013 – 11h05
A visita de João Leite Schimidt a Antônio Nogueira, na tarde de ontem, poderia ser considerada mera cortesia, não fossem o feeling sempre muito apurado e os olhos de lince do decano conselheiro da política estadual, ainda mais agora, neste seu retorno à presidência estadual do partido de Leonel Brizola, devendo ter percebido a movimentação, no mínimo atípica, do empresário leiteiro desde que assumiu a presidência da Associação Comercial e Industrial de Dourados. Tudo bem que antes de ir até Nogueira Schimidt foi pedir bênção ao ex-deputado Roberto Razuk, cuja esposa, Délia, depois de sentir o gostinho da cadeira da qual o Valdecir fora enxotado não pensa outra coisa a não ser nela se sentar de forma mais segura e confortável, além do cafezinho com o atual ocupante da mesma e tão cobiçada cadeira, também não apenas uma cortesia para se antecipar nos parabéns a Murilo Zauith, na véspera das comemorações de seus muito bem vividos 63 anos.
Momentaneamente alinhado com o governo estadual, em agradecimento a André Puccinelli pela guarida aos fiéis escudeiros desamparados Dagoberto Nogueira e Serginho Castilho, certamente que em suas ponderações com o governador a respeito do quadro político estadual Schimidt deve ter ouvido uma pergunta sempre recorrente quando o assunto é a sucessão na prefeitura douradense: “E o Nogueira?”. Aos 67 anos, pelo que se vê, de sua desenvoltura nas mídias sociais, Antônio Nogueira poderá, aos 71 – 24 anos depois de (apoiado por Braz Melo) derrotado por Humberto Teixeira – tentar, de novo, em 2016, ser prefeito de Dourados. O handicap da idade, neste caso, servirá como credencial para uma Dourados ainda sob o trauma das lambanças da jovialidade de Valdecir Artuzi. Tudo a depender, evidentemente, da experiência, ele acredita, que terá sido bem sucedida da ponte ora em construção pelo sessentão amigo e apoiador Murilo Zauith.
Claro que o acúmulo de janeiros não é condição sine qua non para ser bom administrador, seja na vida pública ou na privada. E nada melhor que história para mostrar isto, tanto que dos administradores cujas marcas insistem perpassar o marco divisório da criação do Mato Grosso do Sul (1977) os dois entrados como anciões não são os de melhor lembrança – o vice de José Elias Moreira, José Cerveira, depois dele, “seu” Humberto Teixeira. Pelo contrário, neste interstício de tempo, o próprio Zé Elias, eleito aos 36 e, seu antecessor, João Totó Câmara, eleito a primeira vez aos 38, são, até agora, considerados os dois melhores prefeitos da história. Além do jovem e fumegante Valdecir, nesses últimos tempos, Dourados experimentou, por duas vezes, a jovialidade e o esplendor físico de Braz Genelhu Melo, antes dele, o ainda bonitão Luiz Antônio Gonçalves, depois, a serenidade que é sinônimo de juventude eterna de Laerte Tetila.
A vantagem de um prefeito novo é o que isto pode significar para a ascensão política do município. Tanto que Zé Elias quase virou governador em 1982; Braz Melo também teve tudo para isso e Totó Câmara, mesmo em situação bastante adversa, tentando o Senado. Mas aí, entrando a lenda dos maus fluídos de um sapo enterrado aos pés da estátua de Antônio João, o herói da guerra com o Paraguai tomado emprestado e agora em vias de ser cassado pelos novos historiadores, um problema com o qual Antônio Nogueira não precisaria se preocupar, bastando trabalhar para garantir ao padrinho Zauith, dois anos depois, aquilo que é considerado o céu para os políticos – o Senado da República. Desde que se vá, mesmo, para o céu, aos 68 anos, Murilo Zauith terá feito um grande negócio.
←TEXTO ANTERIOR ouPÁGINA INICIAL→

