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Com números superlativos, André tenta suplantar o mito Pedrossian

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17/08/2013 – 17h50

Gozador na hora de empurrar repórteres com a barriga e de embaralhar as cartas do jogo político, como escrevi na abertura do post anterior, mas não indelicado com adversários, André Puccinelli esperou passar 24 horas do aniversário de Pedro Pedrossian para o lançamento do pacote de obras com o qual pode suplantar, senão como mito, mas como administrador, aquele até aqui tido como o maior de todos os governadores dos dois Mato Grossos. E a condição de adversários, bem dito seja, apenas pelo fato de André ser considerado o herdeiro político de Wilson Martins, este, sim, o único osso duro de roer encontrado pelo sempre todo-poderoso Pedrossian em sua vitoriosa trajetória.

Neste 13 de agosto, quando comemorou 85 anos, na antevéspera do lançamento do pacote de 3,6 bilhões em obras do MS Forte II, o engenheiro Pedro Pedrossian, que governou – e desbravou – o Mato Grosso, depois (duas vezes) o Mato Grosso do Sul, deixou escapar um exultante “oba” quando o repórter do Campo Grande News chegou à sua residência dizendo que queria entrevistá-lo para falar de política. Bem informado sobre o que viria na sequência, como que rejeitando o “presente de grego” de Puccinelli, não deixou de alfinetar: “as obras realmente importantes foram do nosso tempo”.

Realmente, “Dr. Pedro”, como sempre foi chamado pelos correligionários, pode ter lá suas razões, mas não há parâmetros para comparações. Cada um em seu tempo, até que apareçam outros, certamente que passarão à história, como diria FHC, como os dois maiores “fazedores”. Pedrossian, pela visão de futuro, mesmo “sem orçamento”, como reclama até hoje, por ter despertado o “grande colosso adormecido”, como era conhecido o velho Mato Grosso, implantando universidades, estradas, linhões de energia e os primeiros conjuntos habitacionais. Puccinelli, agora, pelos números superlativos de seu governo, mesmo assim tentando, ainda, concluir as obras iniciadas no primeiro governo de Pedrossian e não concluídas nem pelo próprio nem pelos que o sucederam, como Wilson Martins, Marcelo Miranda e Zeca do PT. Maior exemplo disso é o gabinete onde o governador despacha, num prédio inicialmente concebido por Pedro para a Secretaria de Obras, em seu majestoso Parque dos Poderes, devendo o Mato Grosso do Sul ser o único Estado brasileiro que não tem um palácio, propriamente dito, de governo.

Nenhuma dúvida também de que entre os 3.600 quilômetros de rodovias beneficiadas com parte dos 3,6 bilhões de reais do MS Forte II, dos quais dois mil quilômetros de asfalto novo, muitos trechos são remanescentes dos projetos concebidos na prancheta do engenheiro Pedrossian, como o Guairaporã e o Apaporé. Da mesma forma as anunciadas extensões da UEMS, com cursos de medicina em Campo Grande e Três Lagoas. E que Puccinelli fique esperto, aliás, para não ficar como vilão, diante do retorno da polêmica quanto à possibilidade de Dourados perder a sede da Universidade Estadual para Campo Grande, nesta linha de raciocínio, por não se contrapor à visão de estadista de Pedrossian, que ao implantar o campus da UEMS anexo à área da faculdade (federal) de agronomia, acabou implantando ali embrião da UFGD.

Falando em embrião, claro que não dá para comparar as casinhas embriões (ou geminadas) como as da velha Vila Popular em Dourados, primeiro projeto habitacional de Pedrossian, ainda nos tempos do Mato Grosso, com o arrojado projeto habitacional de Puccinelli, que promete fechar seus oito anos de governo com quase (faltando apenas cem) 69 mil casas populares, dessas em conjuntinhos fechados, com toda a infraestrutura hoje exigida. Aliás, falando neste “cabalístico” número, e para que não paire dúvidas quanto ao pai da criança, que é bonita uma barbaridade, é exatamente este o percentual que cabe ao governo do Estado neste pacote de 3,6 bilhões. Ou seja, 69% de recursos do governo do vovô André, o restante da fada-madrinha, que, sem estresse, como aconteceu com os ônibus escolares, poderá ter o nome do governo federal também estampado nas placas de inauguração das obras. Tal qual um famoso “Pedro placa”, que lançou esta moda por aqui há muitos anos e que, também por isso, virou mito.

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André Puccinelli - foto: Rachid Waqued

Pedro Pedrossian - foto: arquivo

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