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Cidades alemãs se debatem sobre homenagear (ou não) Hitler

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18/08/2013 – 07h02

Várias cidades na Alemanha ainda têm Adolf Hitler nas listas de cidadãos honorários. A maioria retira o nome dele assim que a falta de fiscalização é descoberta. Mas deveriam? O líder social-democrata Sigmar Gabriel não tem tanta certeza.

Elas tendem a ter nomes de que poucos já ouviram falar, lugares como Bassum, Helsa, Nittendorf-Etterzhausen ou Nortorf. Mas periodicamente essas pequenas cidades na Alemanha chegam às manchetes dos jornais devido a uma característica peculiar que compartilham: elas estão, ou estavam até recentemente, na lista de comunidades que nunca retiraram o título de cidadão honorário de Adolf Hitler depois que o Terceiro Reich desabou em 1945.

Agora, uma nova cidade recentemente se tornou o foco de uma atenção indesejada, como resultado de suas listas antiquadas de cidadãos honorários. Goslar, a cidade natal do líder do Partido Social-Democrata, Sigmar Gabriel, está agora planejando finalmente revogar a honra concedida ao Führer na década de 1930.

Mas deveria? Gabriel, surpreendentemente, acredita que a resposta a essa pergunta deveria ser não. Em comentários feitos recentemente, o líder político de centro-esquerda disse: “É uma tentativa de encobrir algo que não pode ser encoberto”, disse. Ele acrescentou que costumava ser a favor da remoção de Hitler das listas de cidadãos honorários, mas que sua opinião mudou. “Hoje, acho que é quase errado fazer isso.”

Os comentários de Gabriel refletem uma surpreendente falta de consenso entre as cidades alemãs no que diz respeito a lidar com a descoberta de que o cidadão honorário Adolf Hitler ainda está nos livros públicos. Um total de cerca de 4.000 cidades alemãs, vilas e comunidades homenagearam Hitler durante os 12 anos de governo nazista. A maioria, no entanto, retirou o seu nome imediatamente depois que a Alemanha nazista entrou em colapso.

“Reflexo dos tempos”
Mas nem todas. Em março, por exemplo, um historiador da cidade de Helsa, não muito longe de Frankfurt, descobriu que o título de honra a Hitler nunca foi revogado. O governo municipal agiu rapidamente e, em abril, seu nome havia sido removido.

Outras cidades, no entanto, escolheram manter o Führer nos livros. Lanskroun, por exemplo, uma cidade que antes era alemã e agora pertence à República Tcheca, decidiu não revogar a cidadania honorária de Hitler em 2007, com a seguinte alegação do prefeito na época: “Isso simplesmente é um reflexo daquela época”. Em 2008, a cidade de Nittendorf-Etterzhausen, na Bavária, também se recusou a retirar o líder nazista, embora a justificativa tenha soado mais como uma negação do que uma sutileza. O prefeito na época, Max Knott, disse simplesmente que não poderia enviar a Hitler uma carta informando sobre a revogação, o que implica em que, sem essa medida, o Führer teria de permanecer na lista de cidadãos honorários.

Esta semana, no entanto, outra cidade começou a lutar com seu passado de glória a Hitler. Bassum, localizada ao sul de Bremen, tornou Hitler e o presidente do Reich, Paul von Hindenburg, cidadãos honorários em 1933. De acordo com o certificado, que foi citado no jornal local Kreis Zeitung na terça-feira, a notificação foi enviada aos líderes por um entregador.

“O certificado de cidadania honorária preenchido foi enviado à capital do Reich e entregue pessoalmente ao presidente do Reich, von Hindenburg, e ao chanceler do Reich, Adolf Hitler, pelo integrante da SS e nacional-socialista Alfred Meyer-Apitz, de Bassum, um esportista ativo, numa caminhada de cinco dias e três horas.” O documento observa que Meyer-Apitz marchou 85 quilômetros por dia em seu entusiasmo.

Ainda resta saber como a cidade de Bassum vai decidir abordar a questão. A cidade de Goslar, por sua vez, pretende tratar do assunto em setembro. É provável que o nome de Hitler seja retirado da lista.

DER SPIEGEL/Tradutor: Eloise De Vylder

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