21/09/2013 – 10h09
Desde que comecei a me entender como gente ouvia minha mãe ensinar que melhor um “não sei”, desde que rotundo, porque que não condena ninguém, do que uma mentira, ainda mais quando dessas deslavadas. Claro que, cinquenta anos depois, o ensinamento não se coaduna com a profissão do filho, um desses inveterados insubordinados da imprensa, cujos preceitos básicos estão fundados no quem, quando, como, onde e por que, tudo com interrogação na frente. No dia em que o trabalhista histórico Harrison de Figueiredo estaria completando 84 anos, e, ainda quente o cadáver de Valdecir Artuzi, mais uma “bicuda” do marketing da prefeitura no que parece uma apressada – e desesperada – tentativa de pintar Murilo Zauith como o maior prefeito da história. Pelo simbolismo da data, na véspera de mais uma primavera, “mancada” só comparável à do então prefeito Ayres Marques, que, também num 21 de setembro, resolveu iniciar um trabalho de retirada de árvores centenárias do centro de Ponta Porã, tal qual Totó Câmara havia feito em toda a extensão da Avenida Marcelino Pires para substituir as antigas sibipirunas por palmeiras imperiais.
Nenhuma objeção quanto à pressa de Zauith nessa “fazeção”, como diz o agora imortal FHC. Ainda mais no momento em que seu partido, o PSB, apeia do governo de dona Dilma, contingência que praticamente obriga o prefeito douradense a sair da toca como candidato a governador ou, no mínimo, a senador, já em 2014. Mas nem isso justifica tanto açodamento de sua assessoria com o legado do pobre Valdecir que, com certeza, deve estar dando piruetas na sepultura em São Valentim. Pior, num momento em que a descrença da população brasileira com seus dirigentes e suas instituições vai ao fundo do poço, diante do critério dos dois pesos e duas medidas – não bastasse o inusitado do corporativismo da Câmara Federal mantendo o mandato de um deputado ladrão, já preso, em paralelo com a absurda postura do Supremo Tribunal Federal em dar sobrevida a outros, também deputados, só que de maior periculosidade, como o chefe de quadrilha José Dirceu.
Aos costumes, de novo, como diz Pedro Bial no paredão do Big Brother. Como se o chefe de comunicação da prefeitura, jornalista Hélio de Freitas, não soubesse, até porque também ele é herança de Valdecir deixada para Zauith, as 722 casas do conjunto Habitacional Harrison de Figueiredo ontem sorteadas não podem ser creditadas à atual administração, muito menos computadas às 2343 já entregues, pois que apenas isto aconteceu, já que, justiça seja feita, são projetos – e grande parte obras consolidadas – de Ari Artuzi. É verdade que “desde que assumiu a prefeitura em 2011, o prefeito Murilo já entregou quatro residenciais na região do Jardim Novo Horizonte – um do PAR (Programa de Arrendamento Residencial) com 161 casas, o “Martin Cristaldo/Estrela Tovy” com 147 residências, “Walter Brandão I” com 267 casas e “Walter Brandão II”, com 180 moradias. Também que “o prefeito entregou os residenciais “Dioclécio Artuzi I e II”, no Jardim Guaicurus, com 238 e 227 casas, respectivamente. No prolongamento da Avenida Marcelino Pires, Murilo entregou o “Estrela do Leste”, com 161 casas, e o “Eucalipto”, com 240 apartamentos”. Pior se não entregasse, né. Tudo bem que os homens passam, as administrações continuam e são (ou deveriam ser!) impessoais, mas será que custa ser minimamente honesto nestas horas? Sem contar que é tudo obra com recursos federais e estaduais e que a participação da prefeitura é mais ou menos como a do Paraguai no consórcio bi-nacional que construiu Itaipu, quando o Brasil entrou com a grana e os hermanos apenas com a barranca do rio.
Pelas razões mais que óbvias, e já que agora Artuzi é assunto literalmente enterrado, que a comunicação chapa-branca aproveite e se finja de morta. Preferível o “não sei” recomendado por dona Élvia à escancarada propaganda com chapéu alheio. A menos que os marketeiros de Zauith não saibam que, além de entregar algumas, sortear outras e precisar terminar, ainda, a maior parte das casas do Valdecir, o que, de verdade, a atual administração fez até agora foi bater cabeça para tentar encaminhar a papelada de cerca de 1700 casas na região da fazenda Coqueiro, o que não deixa de ser um avanço. E, colocados os pingos os is, quem sabe, alavancado h-u-m-i-l-d-e-m-e-n-t-e com o legado de Artuzi, Murilo Zauith não passe à história como o maior fazedor de casas de todos os tempos?
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