01/10/2013 – 12h00
Desbancar, literalmente, já que a estratégia é ejetar da bancada de Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional os peemedebistas Geraldo Resende e Marçal Filho, ambos denunciados pela Procuradoria Geral da República junto ao Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, inclusive pela participação na Uragano – a operação da Polícia Federal e do Ministério Público que desbaratou a quadrilha liderada pelo então prefeito Ari Valdecir Artuzi. Na pior das hipóteses, pelo perfil do encarregado de cumprir a missão (o vereador, locutor de rodeios e imorrível da Academia Douradense de Letras, Marcelo Mourão), barrando-se o retorno de Marçal Filho, já que Geraldo Resende, por conta do inevitável desgaste do processo no STF e pela natural rejeição do eleitorado douradense, estaria com seu destino selado.
Divagação de um blogueiro insubordinado e magoado pelo tanto que apanhou dos encapuzados da internet a serviço desses dois federais e seus aliados da imprensa chapa branca? Nananinanã! É a história que se repete, de um lado, pela arrogância e pela insistência das vítimas em continuar fazendo política com a bílis, de outro, pela frieza de quem talvez melhor interprete o Tocando em Frente de Almir Sater, andando devagar (agora que é prefeito), porque já teve pressa (de ser senador). E, assim, como fez com o Valdecir, levando esse sorriso (como o da foto), até porque já deve ter chorado demais, Murilo Zauith, aos poucos, vai montando o quebra-cabeças para finalmente limpar a área, num acerto de contas com adversários que começou nas eleições de 2006.
Marçal Filho e sua preposta Keliana Fernandes não gostam de espicaçar a administração Zauith nos microfones da 94 FM? Geraldo Resende, o do rolo, compressor, claro, não é o único que faz, que acontece e que quer tudo só para si? Pois terão o troco, prometem os estrategistas murilistas. A disputa, todos sabem, é democrática, os partidos estão aí para se firmarem e, como ensina sempre o cacique pedetista João Leite Schimidt, partido que não disputa eleição e que não almeja o poder não é partido, mas na prática a coisa não sendo bem assim, principalmente quando está em jogo a representatividade de uma cidade que parece ter nascido com a sina de coadjuvante do processo político estadual.
Mas quem é o blogueiro para criticar quem faz política com a bílis, se este também é seu jeito de fazer jornalismo, como acusou o radialista Luiz Rogério de Sá outro dia no Facebook? De novo, não! São os números do Tribunal Regional Eleitoral que convalidam esta análise. Eleições de 2006. Convidado a disputar o governo como companheiro de chapa de André Puccinelli, o deputado federal Murilo Zauith pinça de seu time (no qual jogavam, entre outros, os depois uraganos José Carlos Cimatti, Zézinho da Farmácia e Marcelo Barros) o até então obscuro representante do distrito de Vila Vargas, Sidlei Alves, para ficar com sua cadeira em Brasília. Sidlei (21.590 votos) desbanca, em Dourados, o campeão de audiência e de votos Marçal Filho (21.169 votos), que perde a reeleição; Geraldo Resende só se reelegendo pelo retorno das mesmas ambulâncias que – distribuídas fartamente ao tempo em que fora secretário de saúde de Zeca do PT – naquele ano desgraçariam a vida do colega petista João Grandão. Em 2010, sem Sidlei para “atrapalhar” e Murilo com olhos voltados só para o Senado, Marçal Filho volta a pontear a disputa em Dourados, se reelegendo graças aos 28.708 votos obtidos no município, da mesma forma Geraldo Resende, também mais tranquilo, com sua votação pulando de 16 para 26 mil votos.
Se Marcelo Mourão vai se eleger ou não são outros quinhentos. Pode até ser, já que agora, e por coincidência, os encapuzados da internet que começavam a azucrinar sua vida foram, pelo menos momentaneamente, banidos da rede. Mas nenhuma dúvida de que vai conseguir votos suficientes para atrapalhar a vida não só de Marçal Filho, como de quem quer que se meta a besta com Zauith. Se o homem já era poderoso por ser dono da universidade onde lecionam juízes e promotores, alguns que viram até desembargadores, imagina agora com a chave do cofre da prefeitura, prometendo zerar o déficit habitacional, acabar com todos os problemas da saúde e não deixar um metro sequer de rua sem asfalto.
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