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Números, de “postes” e de fenômenos eleitorais

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07/10/2013 – 08h07

Numa busca ao site do TRE para uma mea-culpa, depois de uma pisada de bola feia com o deputado George Takimoto, e, já adentrando a semana em que se comemora a criação do Mato Grosso do Sul, aproveitei para mergulhar nos números de alguns embates políticos, descobrindo, entre outras coisas, que este negócio de fincar “postes” na política não começou com Lula da Silva, ao eleger Dilma Rousseff presidente do Brasil ou Fernando Haddad prefeito de São Paulo, mas com Pedro Pedrossian, ao “fabricar” Marcelo Miranda como prefeito de Campo Grande, depois governador do Estado. Era o que Pedrossian, fenômeno eleitoral surgido no velho Mato Grosso, chamava de forjar novas lideranças. Tanto que depois de traído por Marcelo, tentou fazer seu sucessor o ilustre desconhecido Paulo Fagundes, até chegar à candidatura de José Elias Moreira. No seu retorno ao governo, em 1991, “Dr. Pedro” ainda tentaria fincar um “poste” chamado Waldemar Just Horn, então braço direito de Ueze Zahran na Copagaz.

Na verdade, quando escrevi que Takimoto havia sido eleito na raspa do tacho na eleição passada para a Assembleia Legislativa estava, pra variar, com a cabeça na Owari e na Uragano, operações de combate à corrupção que mudaram o curso da história política douradense e das quais o deputado foi um dos grandes beneficiados. Por isso mesmo, muito bem votado (18.174 votos em Dourados), só perdendo para o ex-prefeito petista Laerte Tetila (19.640 votos) deixando na poeira de suas boiadas o sempre aliado Zé Teixeira (12.546 votos), sendo que no computo estadual, com 23.646 votos, ganhou do próprio Tetila, com 21.779, deixando para trás gente com muito mais bala na agulha, como Márcio Fernandes e Pedro Kemp, além de Cabo Almi, Diogo Tita e Mara Caseiro, sem contar Lauro de Davi, empurrado pela Cassems.

A incursão ao site do TRE serviu também para refletir sobre o quanto o eleitor douradense é generoso com os ditos candidatos paraquedistas. Não só com os que vêm de quatro em quatro anos bicar votos imprescindíveis para bancadas mais numerosas na Assembleia e no Congresso como alguns aventureiros, desde com uma boa lábia. É o caso do hoje deputado Lídio Nogueira Lopes, de Amambai, onde o irmão Luiz Nogueira fora prefeito. Um dos precursores desta onda de pastores na política, em sua passagem por Dourados, em 1996, quase se elege vereador, obtendo 1165 votos, contra os 1157 dos douradenses de boa cepa Domingos Alves da Silva, salvo pela legenda; José Carlos Cimatti (1143 votos) e Dorgival Ferreira (1090 votos). Por muito pouco, aliás, Lídio Nogueira não livra Dourados de seu maior pesadelo político, pois que perdeu a vaga justamente para Dioclécio Artuzi (1224 votos), em cujo vácuo, eleição seguinte, seria eleito o sobrinho, Valdecir, com 1594 votos; na sequência, aí, sim, na raspa do tacho, elegendo-se deputado, em 2002, com 6.821 votos para, em 2006, alçar à condição de fenômeno eleitoral, reelegendo-se com 45.182 votos, dos quais 39.616 em Dourados, coisa quem nem candidatos a federal conseguiram até agora. Coincidência, aliás, para o final também trágico do fenômeno eleitoral anterior, Azolla do Burro, eleito vereador em 1992 e assassinado em 1997.

Entre os “postes” fincados na política douradense, o mais famoso foi o de Braz Melo, que em 1982 perdeu a eleição de prefeito para Luiz Antônio Gonçalves, mas transferindo a Saulo Queiróz 7.094 votos que fariam falta para a eleição do ex-prefeito Jorge Antônio Salomão (7.300 votos) para a Câmara Federal. Estes números, claro, a propósito de um poste (Sidlei Alves) que Murilo Zauith ficou em 2006 para impedir a eleição de Marçal Filho e do outro (Marcelo Mourão) que, com o mesmo objetivo, pretende fincar em 2014. Fincado por Zé Elias, o próprio Luiz Antônio, também um “poste”, à época tendo como candidato a vice ninguém mais ninguém menos que George Takimoto.

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Zé Elias empossando o sucessor Luiz Antônio, em 1983, na prefeitura de Dourados

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