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Marketing “derruba” Bernal antes da hora

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08/10/2013 – 10h06

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998

§ 1º – A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. Constituição da República, de 5 de outubro de 1988.*

O Correio do Estado de ontem trouxe em sua manchete: primeiro as placas. E lá estava uma placa maior que uma “obra” do pra lá de encrencado prefeito campo-grandense Alcides Bernal. Na edição desta terça, lá está, de novo, na capa do jornal do todo-poderoso e temido Antônio João Hugo Rodrigues: “Hoje é o dia – cassa ou não cassa? O Bernal, claro, aquele mesmo a respeito de quem escrevi aqui, ainda durante a eleição, que poderia ser um Artuzi melhorado. Melhorado? O Valdecir pelo menos aguentou mais de um ano e só caiu… bem, vamos deixar isso para a hora certa.

Não é novidade para quem é do meio publicitário esse faniquito dos donos de agências contempladas com as sempre milionárias contas de prefeituras em agradar os mandatários de plantão. Muito menos a imaginação oceânica dos “criadores” dessas agências. Tão criativos, mas todos sofrendo do mesmo mal – uma amnésia profunda, principalmente quando se refere ao artigo da Constituição Federal que abre este post.

Tudo bem que os criadores da agência do governo do Estado nos tempos do seriíssimo Doutor Wilson Barbosa Martins, um dos signatários da nova Carta, também foram acometidos do mesmo mal, conseguindo a proeza virar o M do Mato Grosso do Sul de cabeça para baixo para ficar parecendo um W, para remeter ao nome do governador. É o que eles chamam de estilização do nome. Que os não menos brilhantes criadores de Nelsinho Trad fizeram um remelexo com sol do PMDB nascendo entre colinas em forma de N, também uma forma de agradar ao patrão. E tantos outros, os menos criativos, se limitando a pintar obras públicas com as cores que o chefe usa nas campanhas eleitorais.

No caso da logomarca estampada nas placas de Alcides Bernal, em que pese, também, toda criatividade, parece que o castigo veio a galope, como dizia meu avô, o carroceiro João Evangelista Luiz da Silva. Nem é preciso ser um ás em semiótica para, a uma piscadela sobre uma placa do ainda prefeito de Campo Grande, identificar o Alcides Bernal, entre o que esses especialistas chamariam de encontro de rosas na rotunda.

Caso haja tempo de o locutor-prefeito campo-grandense ser alvo na justiça, também, de uma dessas ações que nunca prosperam quanto à publicidade irregular, certamente que os advogados da agência oficial se apegarão a mestre Aurélio Buarque de Holanda para justificar o sentido da palavra rotunda: construção circular terminada em cúpula. Cúpula? É tudo o que Bernal teme hoje. Poderão justificar ainda, conforme o mesmo dicionário, que a logo remete a alguma praça ou largo circular, coisa que costuma render muitos retornos, razão alegada para a iminente queda do alcaide. Mas, para continuarmos com mestre Aurélio, pode ser coisa do sexto sentido do criador (sic) e, neste caso, o pressuposto do pior, já que ao “estilizarem” o B, do coração de Bernal, assim, deitadinho, ao lado do A, de Alcides, desenharam o pano de fundo do que estava para acontecer, ainda mais se a intenção foi transformar em rosas as imagens ovaladas – em azul, amarelo e vermelho – contornadas pelas iniciais do nome do prefeito. As rosas de um funeral antecipado.

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