09/09/2015 – 16h09
A Operação Cofee Break, desencadeada pelo Gaeco, investiga a participação de vários políticos no esquema de corrupção
Acusado de orquestrar a manobra política bem sucedida que culminou na cassação do mandato do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), o ex-governador André Puccinelli (PMDB) garantiu ontem que irá depor no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na condição de testemunha.
Convocado na semana passada a prestar depoimento sobre suposta participação no esquema de aliciamento de vereadores na Capital com esse objetivo, o ex-governador solicitou mudança de data alegando compromissos inadiáveis.
A Operação Cofee Break, desencadeada pelo Gaeco, investiga a participação de vários políticos no esquema de corrupção.
Ontem de manhã, André Puccinelli esteve na Assembleia Legislativa, mas foi reticente ao ser abordado por repórteres que fazem a cobertura diária das sessões da Casa, limitando-se a dizer que irá depor na condição de testemunha e que não tem envolvimento no caso.
De novidade apenas só o fato de o peemedebista ter ido à sede do Gaeco, em Campo Grande, conforme ele mesmo revelou na entrevista. “Fui como testemunha e vou quantas vezes forem necessárias”, prometeu ex-governador, que também é alvo de investigação na Operação Lama Asfáltica, desencadeada em 9 de julho pela Polícia Federal, Receita Federal, CGU (Controladoria-Geral da União) e MPF (Ministério Público Federal).
Em tom de brincadeira, ele contou que foi ao Legislativo combinar uma pescaria com o deputado estadual Zé Teixeira (DEM), primeiro-secretário da Mesa Diretora da Assembleia, de quem é amigo.
As investigações começaram no início de 2014. Em abril, o Gaeco apreendeu vários documentos na casa prefeito Gilmar Olarte (PP), afastado pela Justiça.
Até agora, prestaram depoimento os vereadores Paulo Siufi (PMDB), Airton Saraiva (DEM), Chocolate (PP), Edil Albuquerque (PMDB), Gilmar da Cruz (PRB), Edson Shimabukuro (PTB), Jamal Salém (PMDB), Carlão (PSB) e Mário César (PMDB), ex-presidente da Câmara.
Escutas
Flagrado em grampo telefônico autorizado pela Justiça, o ex-governador garantiu há dias que os escândalos de corrupção que repercutiram na imprensa nacional, não devem atingir o PMDB nas eleições municipais do ano que vem.
A Polícia Federal descobriu esquema envolvendo empresas que movimentaram bilhões de reais em contratos fraudulentos em Mato Grosso do Sul. Segundo a PF, elas agiam no governo estadual e também em prefeituras. No fim de 2014, a Polícia monitorava o então secretário-adjunto de Fazenda, André Luiz Cance, um dos investigados na operação Lama Asfáltica. Em uma das gravações telefônicas, ele conversa com o então governador André Puccinelli (PMDB).
“Os culpados devem pagar”, afirmou. Para o ex-governador, “a Justiça tem de ser igual para todos. Tenho convicção de que nenhum peemedebista tem impressão digital na Lama Asfáltica”. Na sua avaliação, as investigações vão “atrapalhar as pessoas que cometeram os ilícitos”.(Willams Araújo)

