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sábado, junho 27, 2026

André Puccinelli e Gilmar Olarte puxam a fila dos presos da Lama Asfáltica

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14/09/2015 – 08h41

Evidente, até para quem não acompanha o dia-a-dia da política, que chegaria a hora de André Puccinelli pagar, e caro, por seu excesso verborrágico, e não precisando ir longe, para não encompridar a prosa, ficando apenas no mais emblemático deles, que escandalizou o Brasil – a crônica de um estupro (em praça pública) anunciado do então ministro Carlos Minc, a quem chamou de “veado e fumador de maconha”. Agora, apeado do governo e pra lá de encrencado em denúncias de malversação de verbas, a ponto de ser apontado pelo Ministério Público Estadual como chefe da quadrilha da Lama Asfáltica, ele continuava falando, falando. E perigosamente, pelo menos até a última sexta-feira, antes da audiência no Gaeco, onde foi explicar, entre otras cositas, o excesso da verba gasta por seu governo com cafezinhos e ingressos de circo, e de onde saiu misteriosamente calado.

Mas foi um pouco “pratrasmente”, como diria o antológico Odorico Paraguaçu, prefeito da fictícia Sucupira, como que antevendo as consequências de sua derrapagem na lama asfáltica, que André Puccinelli pode ter dado azo à argumentação dos promotores que pretendem agora levá-lo ao xilindró, em companhia do prefeito-tampão Gilmar Olarte. Não, não estou fazendo esta afirmação com base nas notícias neste sentido que já começam a correr na famosa rádio peão. Trata-se apenas um sonho. No caso, um pesadelo (nunca escondi minha admiração pelo ex-governador) talvez sugestionado pelo discurso – ainda rolando no Facebook – de André Puccinelli já no final de seu governo, num evento com o então recém-empossado Gilmar Olarte na prefeitura de Campo Grande.

Diante de um constrangido pastor Gilmar Olarte, acusado de transformar cheques pré-datados de fieis eleitores em pixulecos para comprar vereadores que cassariam Alcides Bernal, André estufa o peito para afirmar que “por obra de Deus e da justiçá (assim mesmo, mudando a seu bel prazer a palavra de paroxítona para oxítona) vem o vice e se entende com o estado”, lembrando que esteve com o ex-prefeito (e aí, dirigindo-se ao imaculado deputado petista Vander Loubet) três vezes, “recebendo-o, na governadoria, mas ele sempre veio sozinho, não queria trazer imprensa, não queria trazer companheiros”, numa insinuação de que Bernal fora lá apenas para tomar um de seus famosos cappuccinos, acrescentando, num de seus arroubos de coronel político, que sempre atende “a todos os filhos”.

Mais adiante, ao convidar Gilmar Olarte para ir “de dia à governadoria, levando seus assessores e vereadores”, aconselhou o prefeito plantonista a não brigar com a Câmara “como a anta que estava antes”, trazendo à tona a invertida que levou de Valdecir Artuzi, o deputado que de tanto por ele ser ridicularizado como “animal de pelo curto” acabou, contra sua vontade, virando prefeito de Dourados. E como não poderia deixar de alfinetar Reinaldo Azambuja, por seu incomodativo slogan de campanha, apelando, de novo, para a heresia: “vamos mudar para mudança certa; mudança é boa, mas Deus concerta as coisas”. E no que seria a antecipação do ato falho que pode pôr fim à sua carreira política, conclamando Olarte e toda a corriola a não falar do passado (Bernal): “Vamos olhar para futuro, vamos olhar para o sol raiar (quase que ele fala uma nova e boa alvorada) que cada dia nos dá mais força para cuidar de nossos filhos e de nossos netos”.

Como ia dizendo, no sonho, ou melhor, no pesadelo, André Puccinelli e Gilmar Olarte aparecem, não algemados, mas de mãozinhas pra trás, tal qual Zé Dirceu e demais comparsas da Lava Jato quando na presença de juízes e promotores. Atrás deles, descendo uma grande rampa, como a de acesso ao prédio da Assembleia Legislativa, estes, todos, devidamente algemados – alguns, inclusive, acorrentados, como os irmãos Fernandão e Aurélio Rocha, da Campina Verde, quando presos pela PF. As imagens de sonhos e, principalmente, de pesadelos, são sempre muito confusas e desconexas, mas dava para distinguir, entre os presos da Lama Asfáltica, pelo menos três notórios empresários, um deles até todo cheio de charme, mais ou menos dez políticos, a maioria vereadores e, pasmem, até integrantes do que parecia ser uma alta corte fiscal, alguns até bem pouco tempo aboletados em postos de comando nos dois mais importantes prédios do Parque dos Poderes.

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