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Retorno de Bernal muda cenário da sucessão em Campo Grande

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14/09/2015 – 07h51

Sem nenhum candidato favorito, ao menos por enquanto, a disputa eleitoral de 2016, a partir do retorno do prefeito Alcides Bernal (PP) à Prefeitura, deve mudar radicalmente o cenário político em Campo Grande, cuja campanha também deve ser marcada sem a participação de nomes tradicionais como protagonistas em um confronto atípico no maior reduto eleitoral de Mato Grosso do Sul.

Envolvidos em denúncias de supostas irregularidades, nomes como o do ex-prefeito da Capital, Nelsinho Trad (PTB), e o do ex-deputado federal Edson Giroto (PR), não devem participar das eleições municipais do ano que vem, abrindo espaço para novas lideranças e partidos de pouca densidade eleitoral.

Por causa disso, até políticos de fora da Capital têm despertado o interesse em entrar na briga, exemplos dos deputados estaduais Felipe Orro (PDT), Beto Pereira (PDT) e Mara Caseiro (PTdoB).

As eleições devem ser marcadas ainda por acusações recíprocas entre as principais lideranças políticas do Estado, que, embora devam ficar fora diretamente da campanha, têm forte influência partidária e, com isso, podem definir as eleições.

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB), o senador Delcídio do Amaral (PT), o deputado federal Zeca do PT e o ex-governador André Puccinelli (PMDB) terão participação decisiva no processo sucessório, independentemente de desgaste político ou não.

Apesar da aparente falta de favoritismo há pouco mais de um ano para as eleições, os analistas políticos apontam como eventuais beneficiados nesse fraco cenário que se desenha o nome do próprio Bernal, em condições de esboçar um discurso inovador como vítima de um esquema fraudulento que culminou com a cassação de seu mandato pela Câmara de Vereadores.

Em sua provável campanha à reeleição, o prefeito da Capital deve apontar o dedo em direção ao ex-governador como responsável por tudo que aconteceu ao longo do período em que ele esteve fora do comando da prefeitura, sendo substituído pelo vice-prefeito Gilmar Olarte (PP), afastado pela Justiça no mês passado.

André, inclusive, foi sabatinado por cerca de três horas pelo Gaeco (Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado), na semana passada, onde negou sua participação no esquema de compra de votos de vereadores visando à cassação do mandato do progressista.

Da mesma forma, várias pessoas já foram ouvidas pelo Gaeco, entre as quais, vereadores, ex-vereadores e empresários. As oitivas fazem parte da Operação Coffee Break que investiga corrupção ativa e passiva na cassação de Bernal.

Nove vereadores são investigados. Eles e mais oito pessoas, incluindo o ex-prefeito Gilmar Olarte (PP), tiveram os celulares apreendidos para serem periciados.

TENSÃO

Diante desse clima de tensão e indefinição, as principais lideranças partidárias devem repensar seus planos, mudando suas estratégicas na tentativa de indicar nomes que não estejam comprometidos com os últimos escândalos no maior colégio eleitoral do Estado, incluindo a Operação Lama Asfáltica deflagrada em 9 de julho pela Receita Federal, Polícia Federal, CGU (Controladoria-Geral da União) e MPF (Ministério Público Federal).

Com um pé fora do PMDB, já que aguarda apenas a janela política para se abrigar no PSD do ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD-SP), o deputado estadual Marquinhos Trad também seria um dos beneficiados com a nova configuração política local, a exemplo da vice-governadora Rose Modesto (PSDB), respaldada pela liderança do governador Reinaldo Azambuja, principal articulador político dos tucanos, que deve marcar presença importante na sucessão do próximo ano.

ambém ouvida pelo Gaeco na semana passada, Rose negou o esquema de compra de votos entre vereadores e empresários para cassar Bernal. Na época, em que a Câmara votou pela derrubada do prefeito, em março do ano passado, Rose era vereadora e votou favorável pela perda do mandato.
De acordo com denúncias do MPE (Ministério Público Estadual), Bernal fraudou licitação para aquisição e distribuição de merenda escolar a 34 Ceinfs (Centros de Educação Infantil) e 94 escolas da rede municipal na primeira fase de sua administração, o que também foi investigado pelos vereadores.
No entanto, a tucana diz que o episódio ficou no passado e que hoje está focada em, junto com o prefeito, sanar os problemas da cidade. O PSDB, no entanto, poderá indicar sem prejuízo uma nova opção, se entender que corre risco por conta dos últimos acontecimentos.(Willams Araújo)

deputado Marquinhos Trad

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