03/11/2015 – 00h52
Os milhares e milhares de privilegiados leitores do Blog já estão acostumados. A palavra retorno, assim, em itálico, no título, é sinal de chumbo-grosso. Dá tremedeira, causa pânico e insônia nos useiros e vezeiros em malversação do dinheiro público. Ainda mais quando seguida de outras duas – lama asfáltica – muito em moda nos últimos tempos. Mas, que fiquem tranquilas as figurinhas carimbadas. O assunto de hoje é a sinergia que permitiu ao fotógrafo Paulo Ribas, do Correio do Estado, complementar, de forma tão brilhante, tudo aquilo que todos estamos escrevendo a respeito dos escândalos de corrupção em Mato Grosso do Sul. Olhando assim en passant pode até parecer uma panorâmica comum, mas quem entende do riscado sabe do que estou falando.
Por coincidência, um dia antes de sua publicação ao lado de uma matéria informando a liberação de mais recursos para – os sempre fajutos, porém rentáveis e, por isso mesmo, intermináveis – recapeamentos de rodovias no Estado, tive a oportunidade de, embora não sendo engenheiro, explicar didaticamente e in loco a meu advogado como funciona esse negócio de retorno de lama asfáltica. Até, para que ele tenha o melhor embasamento possível nas muitas defesas que está sendo obrigado a fazer do mais insubordinado de seus clientes. Foi num desses “congestionamentos” que se tornaram rotineiros para quem trafega pela BR-163, onde são várias as frentes de obras do mesmo tipo, com a diferença de que agora, com a privatização, o famigerado e paliativo tapa buraco está dando lugar a um serviço decente, que tenha atenda a demanda do pesado tráfego de nossas rodovias e não aos bolsos de governadores, deputados e senadores corruptos.
Daí a importância e o devido destaque para o trabalho de Paulo Ribas, não apenas por passar ao leitor a exata dimensão do quão irresponsável e malfeito é o serviço quando de “responsabilidade” de um estado corrupto, mas, principalmente, como prova incontestável nos muitos processos contra a quadrilha da lama asfáltica. Quadrilha – a propósito da condição de psicopata atribuída ao presidente da Câmara Eduardo Cunha pelo colega pernambucano Jarbas Vasconcelos – cujos chefões parecem padecer do mesmo mal, já que continuam agindo como se nada estivesse acontecendo, até pela condescendência dos subordinados da grande imprensa, mas restando a esperança de que apareça a versão pantaneira do paranaense Sérgio Moro, para que caiam, finalmente, todas as máscaras.
Enquanto isso, segue o balé de carros, caminhões, carretas e treminhões para desviar da buraqueira, principalmente nos escorregadios retornos à base de lama asfáltica pelas rodovias estaduais e federais ainda não privatizadas. E a sugestão de pauta ao sempre combativo A. J. Rodrigues, do Correio do Estado, para que mande Paulo Ribas, ou que venha ele próprio, também um grande fotógrafo (até para relembrar os românticos tempos em que gostava de fotografar as belas índias caingangues de Santa Catarina em visita ao meu Jaguapiru) para alguns flashes da Perimetral Norte ou da Avenida Guaicurus, obras recém-entregues e já precisando de muita lama asfáltica, para os retornos, dos tapa- buracos. Sem dúvida, provas mais que robustas, se é que ainda faltam, para desmascarar de vez principalmente os psicopatas da política pantaneira, alguns, inclusive, insistindo em meter o bedelho na sucessão de Murilo Zauith. Para a manutenção, claro, da política dos retornos.
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