17/11/2015 – 09h13
Deverá chegar – e que não demore! – o dia em que o desembargador Claudionor Abss Duarte não estará de plantão num final de semana ou, quem sabe a hora em que, por seu controvertido histórico, ele se coloque ou seja colocado na condição de suspeição para julgar quadrilheiros como os da lama asfáltica. Será o dia em que oxalá Edson Giroto, João Amorim ou algum outro comparsa resolva contar tudo o que sabe para que, enfim, o Estado comece, de verdade, a ser passado a limpo. Neste dia, assim como fez seu conterrâneo Henrique Pizzolatto (o mensaleiro que fugiu para a Itália para tentar escapar da cadeia no Brasil), André Puccinelli poderá fazer valer sua dupla cidadania, escafedendo-se, também, para sua Viareggio, na Itália.
Deverá também chegar o dia em que Rodrigo Janot não seja mais Procurador Geral da República petista e que acabe a blindagem a Delcídio do Amaral, com seus processos chegando, finalmente, ao plenário do Supremo Tribunal Federal. Neste caso, pelo menos, as coisas estão andando mais depressa, com novas denúncias pipocando a todo instante, na medida em que os delatores da Lava Jato vão dando com a língua nos dentes. Esta última, por exemplo, deixou o todo-poderoso líder do governo no senado tiririca da vida com o repórter Rubens Valente, só porque ele escancarou para o Brasil que o pantaneiro dos longos cabelos prateados se utilizou até da inocência de um amigo de infância como laranja para receber um milhãozinho de dólares de suas mutretagens com a quadrilha do petrolão.
Independentemente do que venha a acontecer com André Puccinelli e Delcídio do Amaral na esfera do judiciário, o estrago político está feito. Como ambos lideram, ou lideravam, até aqui, as duas mais fortes correntes políticas do estado e, diante da aparente inapetência do governador Reinaldo Azambuja para assumir o comando de uma terceira via, vai-se criando um inimaginável vazio político no Mato Grosso do Sul. Tanto que até Zeca do PT – com seu partido chafurdado no maior lamaçal de corrupção da história –, que parecia satisfeito em se aposentar como vereador, depois da sobrevida que ganhou ao se eleger federal já pensa em retorno ao poder, pela prefeitura de Campo Grande.
Não é à toa que em Dourados, também, os ditos jurássicos da política estão nesse assanhamento todo. Braz Melo, o último prefeito eleito pelo PMDB, mas deixado de lado por André Puccinelli, e José Elias Moreira, o mais apaixonado entre os seguidores de Zeca do PT, mas sem vínculos partidários com a “cumpanheirada”, certamente apostam nos respingos de toda a bandalheira nos aliados atuais (a maioria também atolada num ou outro lamaçal) desses caciques e assim vislumbrando a chance de um último retorno.
A dúvida que fica é se, a exemplo dos delatores da Lava Jato, que entregaram Delcídio sem dó nem piedade, Edson Giroto, João Amorim e sua caterva vão aguentar o tranco e poupar o capo André Puccinelli. Até porque, pior que o pau-de-arara dos tempos do delegado Sérgio Fleury ou do coronel Adib Massad é o massacre das mídias sociais, onde o eleitor se traveste de jornalista para que se passe tudo a limpo. E passar o Estado a limpo hoje significa puxar a capivara dessa gente, escarafunchando os escândalos mais recentes da história, do lixogate ao coffee break campo-grandense e, já que estão com a mão na massa, não custando desentranhar também as preciosidades dos autos da Uragano, convenientemente abafadas para que não caísse o Estado, pois é ali que o bicho pega, de mamando a caducando, levando de roldão julgados e julgadores.
←TEXTO ANTERIOR ou PÁGINA INICIAL→

