26/11/2015 – 09h41
Ainda bem que entre mim e ele se interpuseram um destes recalcados que se envergonham da origem e do próprio nome e uma sirigaita alpinista social, o que me impediu de cair na lábia daquele ainda jovem e sedutor aspirante ao governo, de retorno ao seu estado natal. Fui o primeiro a ser procurado por Delcídio do Amaral em Dourados, mas a tão boa impressão que tive no momento que o apanhei ao pé da escada de seu avião, transformada em paixão à primeira vista nem bem cruzávamos a famosa e frondosa Figueira quase em frente ao prédio da Polícia Federal (que ainda não era ali), que começou a se esvair já no segundo contato, em Ponta Porã, na presença de seu padrinho político Flávio Dérzi, para acabar depois de duas infrutíferas ligações telefônicas nas quais tentei cumprimentá-lo pela posse na Petrobrás e depois como secretário de Zeca do PT.
Faço questão de colocar as coisas assim, em seus mínimos detalhes, para um mais que necessário contraponto ao único item que se sustentava nos debates de ontem na histórica sessão do Senado, do sempre tão elogiado currículo do agora moribundo senador pantaneiro. Ou seja, nem isso, lhano no trato com as pessoas, como parecia, ele era. Tudo enganação. Tanto que antes de colocar o título deste post fui advertido por meu advogado de que, mesmo na condição de presidiário Delcídio não me livraria de mais um processo, mas, sempre insubordinado, resolvi correr o risco, amparado por mestre Aurélio Buarque de Holanda, para quem os enquadrados no artigo 171 do Código Penal são os acusados de obter para si ou para outrem vantagem patrimonial ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo em erro alguém mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. Ora, se o Procurador Geral da República “promove” nosso ilustre senador de quadrilheiro a chefe mafioso, como mentor de uma trama diabólica, por que eu não posso afirmar que ele é o maior estelionatário da história do MS?
Aproximando-se, já, a hora do canto do cisne, sempre que a ocasião requer tenho me apresentado como o mais longevo dos jornalistas no pleno exercício profissional no Mato Grosso do Sul, talvez por isso, sentindo-me na obrigação de analisar – em suas mais ínfimas filigranas – e opinar, como é a função do Blog, sobre os fatos, via de regra (alas, JC Torraca!) sempre tão bem investigados e narrados pelos coleguinhas que estão aí comendo poeira neste estradão. Daí o inconformismo dos poderosos de plantão, para me canetear e censurar, como se meus escritos fossem apenas perorações, devaneios pós-noites de sonhos e pesadelos.
Ontem, passado o susto com a “dona justa” batendo à sua porta no hotel cinco estrelas em que mora vizinho ao Palácio da Alvorada, Delcídio do Amaral manifestou uma única preocupação: não ser fotografado com seus cabelos sempre tão bem cuidados, agora todos desgrenhados, pois que nem tivera tempo do bocejo matinal e daquela espreguiçada básica antes de se olhar no espelho. Ah e o sempre tão elegante nó na gravata? Para quem acabara de entrar no camburão da Polícia Federal acusado de sambar diante dos ministros do Supremo Tribunal Federal, o nó, pelo menos o da gravata, agora era o de menos.
Embora possa ter tido lá meus recalques pela frustração de sequer ter tido um retorno (assim, sem itálico, pelo amor de Deus!) telefônico, depois daquele nosso primeiro e único dia, quando fiz uma agenda e enfileirei políticos e jornalistas em meu escritório para conhecer o ex-futuro governador, nunca me enganei com Delcídio do Amaral. Tardiamente, ontem, foi o dia de cair a ficha de seus colegas congressistas. Foi o dia do mais lastimável protagonismo do Mato Grosso do Sul na política nacional. O dia em que caiu a máscara não apenas do mais mal-educado, mas, principalmente, do maior “171” da política mato-grossense do Sul.
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