24/12/2015 – 15h07
A assessoria do órgão confirmou a saída do promotor, que deve seguir ‘novos projetos profissionais’
Uma das grandes estrelas da Operação Coffee Break, o coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), promotor Marcos Alex Vera de Oliveira, deve deixar o comando do órgão. Ele ou a assessoria não confirmam, mas a saída ocorre após pressão por conta do relatório apresentado no início de dezembro, referente à Operação Coffee Break.
Informações extra-oficiais apontam que o promotor teria causado insatisfação de praticamente todos os lados, ao envolver nomes de figuras públicas da política sul-mato-grossense, em especial de vereadores, prefeito afastado e de ex-governador durante a investigação da Operação Coffee Break, do Gaeco.
Além da insatisfação da classe política que se viu ameaçada com a investigação, parte da cúpula do próprio Ministério Público Estadual também não estava satisfeita pelos constantes ‘vazamentos’ de informações de caráter sigiloso que se tornavam de conhecimento público em rede nacional. A exposição desnecessária dos investigados e inclusive do próprio promotor, causou mal-estar dentro do MPE.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Gaeco, que negou o fato do promotor ter recebido pressão, mas admitiu que a situação ajudou na decisão de Marcos Alex. As tratativas com o gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça sobre a sua saída já vinham acontecendo antes do término do relatório a pedido dele, conforme a assessoria.
Assim que a investigação foi concluída, no dia 4 de dezembro, Marcos Alex também oficializou o desejo deixar o comando do órgão. O pedido está sob análise da PGJ. Após a sua manifestação, o promotor saiu de férias e emendou com o recesso forense. A assessoria ainda informou que a partir de agora, o promotor segue ‘novos projetos profissionais’.
Informações indicam que Marcos Alex pode ocupar uma cadeira dentro da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Estado. O promotor teria recebido convite, mas as conversas ainda estão no início e não há nada definido ainda. Por hora o destino do promotor é incerto.
Coffee Break
O relatório da operação Coffee Break apontou 22 pessoas como indiciados, entre eles, o ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PTB) e o ex-governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), além de vereadores e empresários.
Dois novos nomes apareceram como investigados no relatório, o de Nelsinho e Puccinelli. Segundo as informações, não existem documentos que comprovem a participação de André, porém, nas ligações telefônicas, ‘fica claro que as articulações para cassar Alcides Bernal passavam pelo peemedebista’. As articulações teriam ocorrido porque Puccinelli e Nelsinho não se contentavam com a derrota sofrida nas urnas eletrônicas, já que estavam no poder há 16 anos.
Crimes
Podem responder por associação criminosa André Puccinelli, Nelsinho, o ex-prefeito Gilmar Olarte, e os empresário Carlos Eduardo Naegele, João Amorim, João Baird, Luiz Portela, Luiz Pedro Guimarães e Raimundo Nonato; além dos vereadores Mario Cesar (ex-presidente da Câmara pelo PMDB), Airton Saraiva (DEM) e Flávio César, também ex-presidente da Casa, mas pelo PT do B.
De acordo com o relatório, Mario Cesar, Flávio César, João Amorim, João Baird, Ayrton Saraiva e Fábio Portela formaram um grupo criminoso para dialogar pessoalmente com os vereadores para conseguir votos no dia da cassação e devem ser indiciados por corrupção ativa.
Já os vereadores Paulo Siufi (PMDB), Edil Albuquerque (PMDB), Edson Shimabokuro (PTB), Eduardo Romero (Rede), Jamal Salém (PR), Gilmar da Cruz (PRB), Chocolate (PTB), Carlão (PSB), João Rocha (atual presidente da Casa pelo PSDB), além do ex-vereador Alceu Bueno, devem ser indiciados por corrupção passiva.
Conforme as informações divulgadas, os empresários que aparecem nas investigações tinham interesse de continuar vencendo licitações. Já os vereadores, tinham interesses em adquirir cargos para aliados e secretarias. Gilmar Olarte aceitou a proposta porque teria interesse em se tornar Chefe do Executivo. A investigação começou no dia 25 de agosto de 2015 quando 13 pessoas foram detidas durante condução coercitiva para realização de oitivas. Mario Cesar e Gilmar Olarte foram afastados dos cargos para não interferir nas investigações.
Tanto a Operação Força Tarefa, do MPE, que está em andamento, quanto a Coffee Break, do Gaeco, que está na PGJ, originaram da troca de informações da Operação Lama Asfáltica realizada no dia 9 de julho, pela Polícia Federal e da Operação ADNA, também realizada pelo Gaeco – nesta última denunciou Gilmar Olarte por crime de condução corrupção passiva, continuidade delitiva e lavagem de dinheiro.(Top MídiaNews)

