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A tentação da saúde

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13/08/2020 – 10h38

Prefeita Délia Razuk caiu na armadilha de Ari Artuzi, sendo hoje uma das vítimas da máfia uragânica

Poderia muito bem ter escolhido aleatoriamente uma das inúmeras fotos que circulam na internet para ilustrar este texto, como, por exemplo, daquela montanha de dinheiro apreendido no apartamento do ex-deputado Gedel Vieira Lima, da Bahia. Afinal, quando o assunto é corrupção, principalmente desvio de recursos da saúde pública, o que não falta são imagens, ainda mais agora, acrescidas com as da dinheirama surrupiada das ações de combate ao coronavirus e que ainda deve levar muita “gente boa” para a cadeia. Infelizmente esse dinheiro aí foi apreendido num bairro da periferia de Dourados, exatos dez anos atrás, na residência do ex-prefeito Ari Artuzi. Algumas dessas pacoteiras, com certeza, dinheiro desviado da saúde, como o dos mensalinhos que os vereadores do período uragânico recebiam do Hospital Evangélico.

 ***

Quando eleito vice-prefeito na chapa de Luiz Antônio Álvares Gonçalves em 1982 o já consagrado médico George Takimoto era unanimemente apontado como o nome ideal para a secretaria de saúde. Mas ele impunha uma condição que a princípio parecia estapafúrdia, mas que se tivesse sido aceita teria evitado tantos estragos nas administrações seguintes, levando tantas reputações para o lixo hospitalar. A ideia seria acabar, literalmente, com a secretaria e carrear todos os recursos daí economizados, principalmente com a burocracia e os dos indefectíveis cabides de empregos, aplicando tudo no que seria um grande Centro de Saúde com atendimento de qualidade.

Não que as coisas não fossem bem já naquela época. Não. Luiz Antônio sucedia a seu padrinho político Zé Elias, cujo conceito de boa saúde começava por fazer obras de infraestrutura – “prefiro enterrar tubos, de água e de esgoto, do que enterrar gente”, ele costumava dizer. Seu secretário de Saúde, León Tolstói Rodrigues de Lima, era também um nome de respeito na medicina. Nessa mesma linha, Luiz Antônio tentou colocar um nome do mesmo calibre e assim convidou Paulo Ajax Rolim, cuja história ‘queimei’ ontem num ‘textículo’ da coluna “Bastidores”, daí à nomeação do discreto José Sechi, o “interino” mais longevo que sem notícia na história.

Na primeira administração Braz Melo o secretário de Saúde, médico Eduardo Marcondes, filho de um expedicionário do Exército Brasileiro, de tradicional família de fazendeiros de Maracaju, estava proibido de qualquer deslize, tanto que ficaria famoso por seu bordão – “isto é um absurdo! – quando vereador, toda vez que discursava para espinafrar a administração petista de Laerte Tetila. Mesmo assim foi engolfado juntamente com o colega de profissão e de secretariado, Luiz Antônio Bussuan, pelo leite derramado fora do vasilhame durante a administração Humberto Teixeira, B.O. que até hoje rende dor de cabeça a Braz Melo (sucessor de Teixeira), que, por isso, acaba de perder o mandato de vereador.

Maria de Fátima Metelaro, João Paulo Esteves Barcelos e Luiz Carlos de Arruda Leme passaram incólumes pela secretaria da saúde durante as consecutivas administrações petistas. Se o professor Laerte Tetila caiu no atoleiro e responde a processos até hoje deve ser porque, a exemplo de Délia Razuk, não conseguiu acabar com uma poderosa máfia infiltrada na prefeitura, responsável por escândalos como os das Operações Owari e Uragano, que levou de roldão os homens de confiança da atual prefeita; os que não voltaram pra casa foram pra cadeia. Da mesma forma Sebastião Nogueira, venerável da Maçonaria, o secretário de saúde que poupou Murilo Zauith desse tipo de constrangimento.

Se a prefeita Délia Razuk tivesse se dado ao trabalho de olhar para a história não estaria hoje passando por esse inferno astral. Preferiu o populismo de Ari Artuzi, que, por sua condição anterior de motorista de “ambulância” achou que entendia tudo de saúde, nomeando apaniguados para um cargo tão espinhoso. Primeiro, o enfermeiro Edivaldo Moreira, depois seu dentista particular, Sandro Barbara, a quem sonhava fazer seu sucessor. Foram ambos pra cadeia. O mesmo fim que teve Renato Vidigal, apenas um médico generalista, mas, o que importa, da confiança da prefeita, condição sine qua non para qualquer cargo na atual gestão.

A tentação da saúde

Ex-secretário de Saúde, Renato Vidigal, e a prefeita Délia Razuk

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