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Austeridade e gambiarra

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14/08/2020 – 16h05

Mais uma vez a prefeitura de Dourados é alvo do Gaeco, e mais uma vez por desvio de dinheiro da Educação

Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa, quando as duas coisas se encontram nem sempre dá boa coisa. Não tem como não recorrer ao dito popular para tentar entender uma coisa estranha verificada hoje em Dourados, cidade de dez anos pra cá vira e mexe sobressaltada com a roubalheira no serviço público – executivo e legislativo –, não dando mais pra se falar, a partir de agora, nem mesmo no honroso hiato do período de Murilo Zauith, já que as falcatruas hoje denunciadas teriam ocorrido no último ano de seu mandato, sob responsabilidade de sua secretária de Educação Marinise Mizoguchi.

O fato é que ao mesmo tempo em que a assessoria de Délia Razuk distribuía à imprensa uma nota editorializada com uma extemporânea prestação de contas ‘informando’ que “o mandato chega ao fim com a certeza do dever cumprido”, quando isso deveria acontecer só lá pelo fim de dezembro, com toda a pompa e circunstância que a situação requer, outra, aí sim, informando, que Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) estava dando uma batida na empresa de tecnologia de informática apurando as denúncias contra Marinise Mizoguchi.

A menos que o sempre zeloso guru municipal de comunicação Albino Mendes tenha tido a intenção de fazer a tal prestação de contas funcionar como um antídoto para o quase sempre letal veneno destilado pelo pessoal do Ministério Público quando se trata de desvio de recursos públicos. Talvez porque a empresa acusada de ter praticado “atos atentatórios à moralidade administrativa”, que o Gaeco vê como gambiarras, não tenha tido seu contrato rescindido ao longo do mandato de Délia Razuk, daí a presunção de que as gambiarras podem ter avançado na atual gestão, na mesma secretaria de Educação.

As investigações que resultaram nas buscas e apreensões de hoje na empresa de informática Gênesis começaram em maio de 2016, último ano de mandato de Murilo Zauith e o inquérito só foi instaurado em janeiro de 2017, início da administração Délia Razuk. Como o promotor do caso, o sempre temido Ricardo Rotunno, não é de brincar em serviço, bem possível que Zauith possa sair pela tangente à moda Lula, dizendo que não sabia de nada. E é o mínimo que se espera do hoje vice-governador do estado e todo-poderoso secretário de infraestrutura – por sua notória conduta ilibada, não iria sujar as mãos com quireras de retornos, ops!, de reformas de escola.

Mais difícil, porém, é a situação da prefeita Délia Razuk, eleita com a providencial ajuda – à última hora – do time de Murilo Zauith. Buscar socorro num termo forte – austeridade – para tentar explicar o inexplicável, como a continuidade dos serviços de uma empresa que faz este tipo de gambiarra, num momento em que nem bem havia sido digerida, ainda, a devassa do mesmo ministério público no que havia sobrado de confiável em seu secretariado original. Mas essa ela deve tirar de letra, afinal, é incrível que secretários municipais, por mais mal remunerados que sejam, como tenta justificar seu secretário de governo Celso Schuch, cheguem ao cúmulo de surrupiar um dinheiro sagrado como o do combate a uma pandemia.

Equipe do Gaeco hoje de manhã na empresa de tecnologia que dá assistência à prefeitura (foto:Douranews)

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