01/12/2020 – 10h37
A eleição de Alan Guedes para a prefeitura de Dourados foi o estopim da crise entre Zauith e Azambuja
A informação começou a correr nos bastidores logo após a derrota do deputado Barbosinha, líder do governo na Assembleia Legislativa, para a prefeitura de Dourados. O primeiro sinal foi a exoneração da eminência parda de Murilo Zauith, seu ex-secretário de governo na prefeitura, José Jorge Leite Filho, o Zito, da Secretaria de Infraestrutura, por ele comandada, tão logo foram conhecidos os resultados da eleição. Pra entornar o caldo, Zito promoveu uma reunião entre o prefeito eleito, Alan Guedes, para quem fez campanha, e os novos vereadores, com Zauith, na sede da Agesul em Dourados.
O bilhete vermelho a Zito e a outros assessores mais próximos da Agesul teve o efeito de um bilhete amarelo ao vice-governador, quanto à sua permanência na poderosa secretaria de Infraestrutura. Frio e calculista, Murilo fez-se de desentendido. Deve ter imaginado: quero ver o Reinaldo ser macho e me demitir.
Agora vem a informação, de uma alta fonte da governadoria: muito mais que macho, como bom Azambuja, Reinaldo é também maquiavélico. Além de demitir seu vice-governador de uma secretaria que faz política 24 horas por dia, vai pôr em seu lugar ninguém menos que o candidato derrotado nas eleições em Dourados: José Carlos Barbosa. Afinal, o próprio Murilo não berrava nas reuniões que ele era um grande tocador de obras, um grande gestor, o mais preparado para ser o prefeito de Dourados?
Pelo jeito o discurso de Murilo Zauith na campanha foi só da boca pra fora, não tão convincente como precisava ser. A cúpula tucana, que nunca engoliu a derrota para Odilon de Oliveira nas eleições passadas para o governo, em Dourados, acusa o vice-governador de ter trabalhado por baixo dos panos para Alan Guedes, nome por ele indicado para vice de Barbosinha. A mágoa de Murilo seria só um subterfúgio para encobrir suas verdadeiras motivações, as mesmas, deduzem os tucanos, que têm feito Reinaldo Azambuja perder o sono. Óbvio ululante!
Mas, faz de conta que tudo isso não procede, que é apenas uma elocubração do blogueiro insubordinado. A saída do demo Murilo Zauith para dar lugar a outro demo, Barbosinha, na secretaria de Infraestrutura é só uma rearrumação partidária, muito mais que um pós-eleição, mas visando, desde já, a disputa do governo em 2022. Uma questão partidária, até porque com isso a vaga do candidato derrotado em Dourados, do DEM, seria ocupada por uma mulher, e tucana – a ex-deputada Dione Hashioka, para formar a bancada feminina do PSDB na Assembleia, com o retorno, também, de Mara Caseiro. E o demo Barbosinha, o grande gestor, na secretaria de Infraestrutura pavimentaria seu próprio caminho como provável candidato a vice-governador do tucano Eduardo Riedel em 2022. Nada contra Murilo, claro.

