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O retorno de Zauith ao período sabático

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13/01/2021 – 09h12

Vice-governador sai de cena momentaneamente, para retornar governador e tentar a reeleição

Depois de um daqueles dias de um enfado medonho, diante das demandas de seu governo (na pior das hipóteses terá assumido no início de abril por causa da desincompatibilização de Reinaldo Azambuja, também na pior das hipóteses candidato a deputado federal) e com as cobranças para que dispute a reeleição, Murilo Zauith se levanta do sofá onde relaxa com os pés sem meias sobre a mesinha de centro, estica os dois braços sobre a cabeça com os dedos entrelaçados, as palmas das mãos viradas para o alto numa espreguiçada clássica, depois chama seu chefe de gabinete José Jorge Leite Filho, o Zito, e dá um ultimato: liga para o Paulinho (Catanante, do Ibrape) pra Sandra (Cunha, da Companhia de Pesquisas), pro Lauredi (Sandim, do Ipems), ah, pro Ibope também! Depois a gente conversa.

Esse “depois a gente conversa” é a senha para a decisão mais importante da vida de um dos políticos mais enigmáticos e dos mais longevos no exercício consecutivo de mandatos (deputado estadual, federal, prefeito de Dourados e vice-governador pela segunda vez) do Estado. Para um político carreirista seria a tentativa de realização de um sonho, o ápice da carreira em nível estadual, mas em se tratando de Murilo Zauith, em sua frieza calculista e oceânica, mais ressabiado que nunca, apenas uma estratégia para não cair em mais uma cilada como as que alguns “mui companheiros” já armaram para ele.

Isso tudo, porque Murilo Zauith, engenheiro civil que chegou a Dourados na década de 1970, é daqueles que não vivem da política, mas para a política, daqueles que pensam no macro da coisa, fugindo do varejo politiqueiro mais que o diabo da cruz. O maior exemplo disso foi ter aceito o convite do governador Reinaldo Azambuja para tocar a pesada secretaria de Infraestrutura, para, entre outras coisas terminar um sem número de obras inacabadas de governos anteriores – a mais emblemática delas o Aquário do Pantanal, que vinha cuidando com o mesmo desvelo como se estivesse nos acabamentos de mais um dos blocos de sua Unigran, a Universidade da família sediada em Dourados que se tornou uma das maiores referências do interior do País.

Agora, vítima de uma daquelas armadilhas típicas da bandidagem política, nem assim se apoquentou. Diante da tramóia que armaram para defenestrá-lo do cargo que mais rende dividendos políticos, simplesmente se fingiu de morto. Assim como fez quando teve as asas cortadas em outras tentativas de voos mais altos que não no seu avião executivo Malibu Matrix. Mas, besta de quem imaginar que ele não sabia de onde vinha o óleo para a fritura. Nessas horas surge um grande problema para Zauith: escolher, para esfriar a cabeça – se é que ela um dia esquentou por causa da política – um entre os refúgios da família no litoral Norte de São Paulo ou em Miami, nos Estados Unidos, só não optando por uma de suas fazendas porque acha que não tem nada a ver com botas de cano-longo ou botinas, que seja, preferindo um simples mocassim, sem meias, claro.

O “depois a gente conversa” deve ter continuado martelando na cabeça de Zauith enquanto ele limpava suas gavetas. Não sem antes pedir ao mesmo Zito para entregar um recado ao secretário especial Sérgio de Paula, articulador politico e homem forte do governo Azambuja. De Paula não vai precisar desocupar a sala da vice-governadoria que tomou “de assalto” no início deste segundo mandato. Nem o velho “Chico Magro” (árvore que faz sombra no gabinete do vice-governador), uma das poucas coisas de que tem saudade, faz Murilo mudar de ideia. Pra lá, se voltar, só como governador.

Por tudo que está rolando nos bastidores do Judiciário, o vice-governador tem agora, no máximo, um ano e quatro meses para assistir, de braços cruzados, o desdobramento do processo político, mesmo prazo que Eduardo Riedel, seu provável substituto, tem para tentar decolar sua candidatura a governador. Sim, porque Reinaldo Azambuja não tem escapatória, trabalhando, desde já, por sua eleição para o Senado ou retorno à Câmara Federal. Sabe que não pode ficar sem mandato. Por sua vez, quando terminar seu período sabático, o aí governador Murilo Zauith, com o demonstrativo das pesquisas na mão, vai decidir o que fazer da vida. Se a bola estiver quicando na área, vai pra reeleição, caso contrário não teria dificuldades para apoiar, por exemplo, a ministra Tereza Cristina.

PS. – Este site foi o único no Estado a antecipar a saída de Murilo Zauith na Seinfra, lá no início de dezembro.

Vice-governador Murilo Zauith (foto: Marcos Ermínio)

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