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quinta-feira, maio 14, 2026

Em discurso de despedida, Trump afirma que seu movimento político ‘está apenas no começo’

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19/01/2021 – 17h14

Pronunciamento não menciona nome de Biden, mas diz ‘rezar’ pelo sucesso do novo governo; presidente deve quebrar alguns protocolos na transmissão do cargo

Em sua última fala na Casa Branca, Donald Trump reafirmou sua intenção de continuar na vida pública, e que o movimento político liderado por ele “está apenas no começo”. Em trechos da fala, divulgados minutos antes do pronunciamento, que será feito na tarde desta terça-feira, ele afirma que vai “rezar pelo sucesso” do novo governo, sem mencionar o nome de Joe Biden.

— Essa semana, nós damos início a um novo governo e rezamos por seu sucesso na tarefa de manter os EUA a salvo e prósperos — disse Trump. — Enquanto nos preparamos para transmitir o cargo ao novo governo, quero que saibam que o movimento que começamos está apenas no começo.

Aparentemente falando a seus apoiadores, em um tom um pouco mais moderado do que o habitual, não falou das acusações infundadas de fraude na eleição presidencial. Também não admitiu qualquer tipo de culpa na invasão ao Capitólio, no dia 6 de janeiro.

— Todos os americanos ficaram horrorizados com o ataque ao nosso Capitólio. Violência política é um ataque a tudo que celebramos como americanos. Nunca pode ser tolerada.

Mais cedo, o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, um agora ex-aliado, afirmou que Trump provocou os seus apoiadores que participaram da invasão,

— A multidão foi alimentada com mentiras — declarou McConnell, em seu último dia como líder da maioria no Senado. — Eles foram provocados pelo presidente e outras pessoas poderosas. Eles tentaram usar a violência para impedir um procedimento específico em um dos poderes do governo federal com o qual não concordavam. Mas nós pressionamos.

McConnell foi um dos pilares de apoio de Trump no Senado, inclusive no primeiro processo de impeachment contra ele, no ano passado. Agora, com um segundo julgamento a ser pautado, relacionado ao ataque ao Congresso, deu sinais de que poderá mudar de opinião e votar pela condenação. Isso potencialmente serviria para que outros senadores republicanos mudassem de posição — para que ele seja condenado, seriam necessárias 17 deserções.

No discurso, Trump disse ainda que seu governo “não foi de esquerda ou direita, republicano ou democrata”, mas sim foi sobre “o bem da nação”. Afirmou que “restaurou a força americana em casa, e a liderança americana no exterior”, uma visão que não encontra respaldo fora dos círculos trumpistas. Ele celebrou os recentes acordos de normalização de relações no Oriente Médio, envolvendo Israel, Bahrein e Emirados Árabes, e declarou que foi o “primeiro presidente em décadas que não começou guerras”.

Pós-Trump

Trump terá nesta quarta-feira uma cerimônia de despedida na Base Aérea Andrews, nos arredores de Washington. Pelos planos, militares farão uma homenagem ao agora ex-comandante, o que poderia incluir até mesmo disparos de canhões, muito embora funcionários do Pentágono evitem confirmar esses detalhes.

No domingo, o ex-secretário de Imprensa de Trump, Anthony Scaramucci, hoje um voraz crítico do presidente, revelou ter sido chamado para a cerimônia. Ele disse que não estará entre os presentes, e levantou a hipótese de que a Casa Branca está desesperada em busca de público para o evento, marcado para quatro horas antes da posse de Biden. O Wall Street Journal reportou ainda que o convite permite até cinco convidados adicionais, algo incomum em atos oficiais. Seu vice, Mike Pence, que irá à posse de Biden, não confirmou presença.

Em seguida, Trump entrará pela última vez no Força Aérea Um em direção ao seu resort em Mar-a-Lago, na Flórida, antes da posse de Biden. Ele não revelou se irá assistir ao evento pela TV. A decisão de deixar a capital americana antes do fim do mandato pode ter uma explicação burocrática, com um fundo de ressentimento: caso o avião fosse usado depois da posse, Trump teria que pedir uma autorização à Casa Branca. Às 12:01, horário local, 14:01 hora de Brasília, ele deixará de ser presidente — entre as medidas imediatas, seus códigos usados para o lançamento de um ataque nuclear serão desativados.

Donald Trump será o primeiro presidente em 152 anos a não comparecer à posse de seu sucessor. O último a esnobar o rival foi Andrew Johnson, em 1869. Assim como Trump, ele foi um dos poucos líderes americanos a sofrer um processo de impeachment.

O protocolo também será quebrado na recepção a Joe e Jill Biden na Casa Branca. Tradicionalmente, o novo casal presidencial é apresentado à residência pelos antecessores, o que ocorreu com o próprio Trump e o ex-presidente Barack Obama, em 2017. A esperada xícara de chá e a reunião entre os líderes não acontecerá — assim como o reconhecimento oficial de que Biden venceu a eleição, algo que Trump nunca fez. Agora, a apresentação caberá ao atual administrador do local, Timothy Harleth. A essa altura, ele já terá concluído a mudança e estará longe de Washington.(Filipe Barini/O Globo)

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