25/01/2021 – 09h49
Secretário de governo tem menos de dois anos para tentar se viabilizar como candidato a governador
Toda a confusão que culminou com a demissão do vice-governador Murilo Zauith da Secretaria de Infraestrutura tem nome e sobrenome: Eduardo Riedel. Não por coincidência um burocrata oriundo da região de Maracaju, reduto político de Reinaldo Azambuja, cuja sucessão é o pano de fundo da guerra de bastidores que vinha sendo travada pelos dois mais fortes secretários do Parque dos Poderes, não por coincidência, também, dois pretensos candidatos ao governo.
Murilo Zauith, com seu jeitão discreto – e seu nenhuma pressa – de fazer política jamais abriu a boca em público para falar que seja candidato, embora isso esteja implícito, por sua condição de vice. Além disso, tem um pequeno e incontrolável grupo de apaixonados seguidores, alguns assessores, que matraqueavam a respeito do tema 24 horas por dia inclusive à noite, como dizia o fenomenal prefeito Ari Artuzi. Eduardo Riedel, pilotando a Secretaria de Governo, sem jamais ter sido testado nas urnas foi jogado na fogueira pelo alto tucanato – Sérgio de Paula à frente.
A vantagem de Murilo, ser candidato natural, já testado e aprovado nas urnas, com a responsabilidade de transformar em realidade o sonho de milhares de eleitores do segundo maior colégio eleitoral do estado de ter um governador saído da terra de seu Marcelino ou, que seja, das redondezas. Vantagem que paradoxalmente vira desvantagem se olhada pela ótica do bairrismo capital x interior, embora ele venha se esforçando para posar como político de renome estadual, principalmente depois da boa votação que teve em Campo Grande na eleição para o Senado em 2010, resultado também da associação de seu nome ao do maior empreendimento da família, a Unigran, há tempos, já, disputando de igual para igual o mercado universitário na capital.
A grande vantagem de Eduardo Riedel, ser um nome novo, ligado ao empreendedorismo, ao agronegócio, principalmente, uma das poucas coisas que vão bem no Brasil do destrambelhado Messias Bolsonaro. Outra vantagem, um tanto quanto controversa, ser o candidato oficial. Se pesa o ônus de ser governo nesses tempos bicudos, ele fatura pelo bônus deste mesmo governo controlar com mão-de-ferro a maioria dos municípios, cujos prefeitos, cabos eleitorais em potencial, por bem ou por mal acabam tendo que ler na cartilha do governador.
Mas o grande problema para um pré-candidato sem votos é o tempo, que “ruge” – “e a Sapucaí é grande” – como diria o impagável carnavalesco e bicheiro Giovani Improtta, personagem de José Wilker na novela Senhora do Destino. Riedel tem menos de dois anos para ver seu projeto vingar, entre as demandas de sua poderosa secretaria e o cada vez maior número de órgãos agregados, justamente para concentrar mais poder. Diante dessa encruzilhada, avalia, inclusive, trocar a Secretaria de Governo pela de Infraestrutura, desocupada recentemente por Zauith. E, dependendo das pesquisas, não se descarta, em último caso, deixar o governo para tentar tirar proveito apenas dos bônus dos tempos em que lá terá ficado.
E tudo isso porque Reinaldo Azambuja foi acometido por uma “pedrossianite” aguda, ou seja, aquela velha mania de tentar forjar lideranças. Lembrando que o ex-governador Pedro Pedrossian, antes de tentar fazer o prefeito de Dourados José Elias Moreira seu sucessor, ao final de seu primeiro mandato no governo de Mato Grosso do Sul (ele já havia feito o desconhecido engenheiro Marcelo Miranda prefeito de Campo Grande, depois por ele emplacado governador biônico), tentou “fabricar” nomes como os dos sem-votos, Paulo Fagundes, Heráclito de Figueiredo e Waldemar Just Horns, mas tudo virando água e por isso sempre tendo que passar o governo a adversários.
Evidente que não se trata de questão fechada, até pela condição atípica de Azambuja, que, na melhor das hipóteses, em abril do ano que vem passa a faixa e a cadeira a ninguém menos que Murilo Zauith. Esta, sim, apesar de tudo que se diz ao contrário, é uma questão fechada. E, aí, se o tempo já urgia para Eduardo Riedel, ficará mais curto que coice de porco, se é que até lá seu nome vai cair nas graças do povão. Enquanto isso, em standby, Marquinhos Trad (com o irmão Nelsinho cada vez mais encalacrado com os processos do tempo em que foi prefeito), o primo Luiz Henrique Mandetta e a ministra Tereza Cristina a tudo assistem de camarote, fazendo figa e esfregando as mãos.

