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quinta-feira, maio 14, 2026

O que segura Ernesto Araújo e o que pode fazer Bolsonaro trocar o chanceler

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28/01/2021 – 09h19

Ministro incomoda militares e setores do agronegócio desde o início do governo Bolsonaro

Ao sugerir que a reforma ministerial que o governo vai realizar nos próximos dias deve envolver o ministro das Relações Exterior, Ernesto Araújo, o vice-presidente Hamilton Mourão expressou o sentimento dos militares em relação ao chanceler. Mas a opinião está longe de ser unânime no governo.

Logo em seguida à declaração de Mourão, pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro se apressaram em dizer que o vice participa muito pouco de processos decisórios e Ernesto, como é chamado no governo, fica até o fim do mandato de Bolsonaro, firme e forte.

Ernesto Araújo incomoda militares e setores do agronegócio desde o início do governo Bolsonaro. O chanceler teria discutido com americanos a possibilidade de intervenção para resolver a crise política na Venezuela, o que desgastou suas relações com a área militar do governo. Já os produtores rurais passaram a temer a perda de mercado nos países árabes e na China, por, basicamente, duas razões: a possibilidade de a embaixada brasileira em Israel ser transferida de Tel Aviv para Jerusalém e, até recentemente, as críticas ao comunismo chinês.

Apesar das especulações, a avaliação no meio diplomático é de que o chanceler só vai cair caso se torne um estorvo para a governabilidade no Congresso. Os partidos do centrão sempre demonstraram que não têm o menor interesse em política externa e muito menos no Itamaraty, que não tem cargos nem verbas.

Outro fator que segura o chanceler no cargo é que ele é o porta-estandarte do antiglobalismo, algo que agrada o presidente da República, sua família e seus seguidores mais efusivos. Desfazer-se de Araújo teria um custo político junto a essa base de leais apoiadores.

Mas e se Mourão estiver certo e o ministro das Relações Exteriores for trocado? Aí Bolsonaro terá de procurar um prêmio de consolação para compensar a substituição e, nesse caso, há risco de surgir um novo problema: acredita-se que países que tiveram conflitos diplomáticos com o Brasil, como alguns europeus, a China, a Argentina e até os Estados Unidos de Joe Biden poderiam negar o agreement, e o Senado dificultar a aprovação de seu nome, o que tornaria problemático para o governo encontrar uma saída honrosa para o aliado.(Eliane Oliveira/O Globo)

O que segura Ernesto Araújo e o que pode fazer Bolsonaro trocar o chanceler

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