21/02/2021 – 12h25
Azambuja entra na briga para passar à história superando Pedrossian em obras no segundo município do estado
No curso de seu segundo mandato como prefeito de Maracaju alguns apaniguados douradenses de Reinaldo Azambuja – o então vereador Zezinho da Farmácia à frente – começaram um movimento para que quando ele terminasse sua administração na terra dos Alves Marcondes transferisse seu título para a terra de seu Marcelino. Isto, na virada do século passado, quando, sob a égide do governo petista de Laerte Tetila, Dourados não estava, ainda, em situação tão deplorável como ficaria no porvir. O tempo passou e Azambuja, que enxergava mais longe do que Zezinho da Farmácia, virou deputado estadual, até tentou ser prefeito além de Maracaju, mas de Campo Grande, foi pra Brasília como deputado federal e de lá só voltou como governador.
Agora, já em pleno século XXI, eis que o sonho dos “reinaldistas” douradenses se transforma em realidade: Para seu ex-líder na Assembleia, deputado Barbosinha, numa alfinetada vingativa a Murilo Zauith, Azambuja vem se revelando “o melhor prefeito de Dourados nos últimos anos”, pelo volume de investimentos do Estado e pelo grande canteiro de obras em que se transformou a cidade. (Interessante que a declaração de Barbosinha, sexta-feira passada, foi na mesma prefeitura com a qual tanto sonhou, na frente de Alan Guedes, para quem a perdeu em novembro passado. Mas isso é assunto para um próximo texto).
Claro que nem com a ajuda do topógrafo e historiador Astúrio Dauzacker, com seu teodolito ou sua trena, seria possível fazer coro ao “entendimento” popular sobre quem foi o melhor prefeito ou o melhor governador. Mas seu sócio, engenheiro Francisco de Almeida Prado, nosso memorável Chico D’Água, arrisca-se a uma medição numa das maiores obras já tocada por um governo do estado em Dourados – o recapeamento asfáltico do quadrilátero compreendido pelas ruas Ponta Porã-Cuiabá/Aquidauana-Eulália Pires. Para ele, daria para asfaltar toda Nova Andradina, duas Deodápolis, uma Naviraí (em sua concepção original), isto, mais ou menos no mesmo espaço em o prefeito José Elias Moreira implantou o projeto CURA (Comunidade Urbana de Recuperação Acelerada), na segunda metade dos anos 1970, o que credenciou o então prefeito à disputa do governo do estado em 1982, ganhando a eleição em todo o interior, só perdendo na capital.
Claro também que para superar o “monstro sagrado” Pedro Pedrossian, Azambuja terá, ainda, que suar muito a camisa, para, por exemplo, terminar a obra do tão decantado hospital regional Hospital Regional, entre muitas outras iniciadas ou prometidas, como a ligação asfáltica do trecho aeroporto/UFGD-UEMS até a BR-163. Lembrando que Pedrossian não passou à história pelo que construiu, desde Vila Popular (o primeiro conjunto habitacional [por ele] construído de Dourados) ao Douradão, obras precedidas pela pavimentação asfáltica, também dele, da avenida Marcelino Pires, mas por ter tirado Dourados da escuridão inercial, com a implantação do linhão de energia vinda do complexo de Urubupungá (Ilha Solteira-Jupiá-Três Irmãos), na região de Três Lagoas.
Para que este blog não seja censurado por endeusar doutor Pedro (o único a receber esta forma de tratamento dos correligionários) em vão, até porque foi o único com três mandados (um ainda no grande colosso, o velho Mato Grosso; dois depois da criação do MS), justiça seja feita a Wilson Martins, Marcelo Miranda e André Puccinelli, governadores que também tiveram um olhar especial para Dourados. E a prefeitos, desde João da Câmara, passando por Zé Elias e Braz Melo (o do asfalto das linhas de ônibus), até Murilo Zauith, que priorizou a periferia, embora não tenha contado pra ninguém.
Aliás, por falar em censura, vai aqui um repto do blog (que está sob censura de Azambuja desde o início de seu primeiro mandato só porque o governador não gostou das advertências aqui feitas pelo decano do jornalismo estadual para o inferno astral que enfrentaria caso não tomasse alguns cuidados): para acabar com essa supremacia de Pedrossian, que tal Azambuja estender este belo serviço que está fazendo no quadrilátero central para regiões igualmente periclitantes, como o Água Boa, maior bairro da cidade; grande Flórida, Maxwell, para a velha Cabeceira Alegre/Vila Industrial e adjacências? Com isso, mata dois coelhos com uma paulada só, no que seria a melhor estratégia de tirar os louros de Murilo Zauith, como parece a preocupação, senão dele, de alguns de seus áulicos. Só não vale prometer que é Eduardo Riedel quem vai dar sequência a este grande trabalho. Neste caso vou ter que continuar falando de Pedro Pedrossian.

