31/03/2021 – 09h03
Políticos matreiros, Renato Câmara e Valdenir Machado faturam com as obras de Reinaldo Azambuja em Dourados
Pode parecer uma foto aleatória, apenas para fixar na cabeça do eleitor que o grande trabalho de recapeamento asfáltico que está sendo executado no quadrilátero central de Dourados é uma obra do governo do estado e não da prefeitura, como pode parecer aos incautos. E, assim, antes que Alan Guedes se aperceba do momento e faça como a antecessora Délia Razuk, que tentou tirar uma casquinha em serviço parecido, nas três principais avenidas, que se dê a Azambuja o que é de Azambuja. Ou, para ser mais justo ainda, a Murilo o que é de Murilo.
Apenas para não perder o gancho e não abrir uma manchete com uma coisa tão pequena, no que toca à lerdeza de Alan Guedes, enquanto os arranha-céus se espalham pela terra de seu Marcelino – o maior deles lindeiro ao meu Jaguapiru – o contraponto do prefeito à maior obra do governo estado nos últimos tempos em Dourados é o patrolamento – isto mesmo, patrolamento! – de algumas ruas na periferia da cidade. E eu que imaginei que nem se usassem mais esse tipo de equipamentos – as motoniveladoras, mais conhecidas como patrolas.
Agora, voltando aos personagens principais desse texto. Afinal, que diacho Renato Câmara e Valdenir Machado fazem embarcados numa máquina de esparramar asfalto acompanhados de alguns cabos eleitorais e empregados da empreiteira de Naviraí que executa o serviço na Vila Planalto e adjacências? Claro que não estão ali apenas para conferir a fatura do governo estado. É aquela velha história, farinha pouca, meu pirão primeiro.
Depois de desistir da segunda tentativa de tentar virar prefeito em Dourados, quando embarcou na canoa furada de Barbosinha e, pior, de levar uma fubecada com o irmão em Ivinhema, sem antigo reduto eleitoral, Renato Câmara, que está de stand by como eventual candidato a governador pelo MDB, tenta se garantir como deputado federal, aproveitando-se do vácuo deixado por Geraldo Resende. Para isso nada melhor que ter como companheiro de chapa um tucano de alta plumagem como Valdenir Machado, que, cacifado pelo recall da candidatura a vice-prefeito de Barbosinha tentará seu quarto retorno à Assembleia Legislativa.
E a pressa não é à toa. Tanto para a Assembleia Legislativa como para a Câmara Federal a fila já dobra um desses quarteirões recém-recapeados. Para a disputa estadual, além dos cinco atuais, todos, a princípio, candidatos à reeleição, some-se os dezenove vereadores. Sim, pelo jeito, todos são candidatos, os mais notórios, evidentemente, pelo barulho que vêm fazendo, o presidente Laudir Munareto e a sempre barraqueira Lia Nogueira. Para a Câmara Federal, claro que, independente da pandemia (e até pelo que está faturando em cima dela), Geraldo Resende deve fazer das tripas coração para sair da incômoda condição de suplente para voltar a ser titular, aí enfileirando-se também algum vereador mais sonhador, algum candidato de Alan Guedes, o pupilo de Jair Bolsonaro, Rodolfo Nogueira, e, apenas para formalizar alguma dobradinha, também, até alguns defuntos tentando a ressuscitação.

