15/04/2021 – 12h41
Secretário de Governo se antecipa à CPI e promete liberar o que for preciso para esclarecer os gastos do dinheiro destinado à Covid
“Transparência é uma das máximas da administração, o prefeito Alan é muito rígido sobre isso. Montamos um cronograma de trabalho para atender com máxima agilidade as solicitações da CPI. O uso de dinheiro público na pandemia é uma pauta de extrema importância para a sociedade, as pessoas querem a informação. E o nosso trabalho é disponibilizar os meios para o acesso”.
A frase que abre este texto é do secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica da Prefeitura de Dourados, Henrique Sartori, depois de receber, na manhã de quarta-feira (14) os membros da recém-criada CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instalada na Câmara de Vereadores para investigar gastos públicos no combate à Covid-19, depois de garantir que a prefeitura ofereceu “uma equipe específica de profissionais” para atender as demandas durante o período de apuração de como foi feita a aplicação dos recursos durante a administração da prefeita Délia Razuk, a razão de ser das investigações.
Mas a melhor parte da copidescada de Clóvis de Oliveira no release distribuído pela prefeitura está no título estampado pelo seu Douranews: “Prefeitura se antecipa à CPI e promete ‘municiar’ (as aspas são do site) vereadores em investigação do dinheiro da Covid”. Só faltou dizer, do dinheiro supostamente surrupiado. Como se fosse, supostamente, é claro, só o da Covid!
Das duas, uma: Ou Henrique Sartori é, de verdade, “o cara”, sério e competente, orgulho da terra de seu Marcelino não só por ter sido o primeiro bebê a nascer no Hospital do Coração, mas também pelo belo currículo que ostenta, ou é só mais um dos muitos dissimulados em busca de fama de olho, ops!, para tentar alçar voos mais altos na política. Prevalecendo a primeira hipótese, que é o que se espera, os douradenses podem dormir sossegados enquanto ele se garantir no tão espinhoso cargo. Afinal credenciais não lhe faltam, pelos tão importantes postos ocupados na área de educação, tanto como professor como conferencista de renome internacional, até o que seria o topo da carreira, como Ministro (interino) de Estado da Educação quando ocupava o cargo de secretário executivo MEC no governo Temer.
Por tudo isso, pois, que não se ponha em sua conta, como fez outro colega, José Henrique Marques, da folha de dourados, as articulações que fizeram da ex-assessora de Délia Razuk, Liandra Brambilha, relatora da tal CPI, ela, cujo nome de candidata – Liandra da Saúde – diz tudo. Tudo bem, Liandra caiu, por razões mais que óbvias, antes mesmo de começarem os trabalhos da comissão, mas será que, ao “se antecipar” aos trabalhos de investigação Henrique Sartori foi devidamente informado, pelo chefe Alan Guedes, sobre o “pratrasmente” (como diria o antológico prefeito Odorico Paraguaçu), do presidente da comissão, vereador Fábio Luiz e do agora relator Sérgio Nogueira. Sim, porque antes de se converter ao bolsonarismo Fábio Luiz, a exemplo de Liandra, também fazia parte do time da ex-prefeita. E o pastor Sergio Nogueira, embora sempre posando de oposição, era quem assinava os cheques da Câmara, na gestão Guedes, inclusive os das vultosas devoluções feitas pelo legislativo ao executivo, que deixavam Délia Razuk feliz da vida.
Independentemente dessas nuanças da política, a favor de Henrique Sartori, é bom que se diga, se a coisa vai terminar ou não em pizza, como já adiantado aqui, não é problema dele, sua parte terá sido feita. O problema é que ao municiar pra valer, como promete, essa munição pode provocar uma explosão no plenário do Jaguaribe, com retorno, ops! de estilhaços que – lá na frente, quando chegar a hora de outras CPI’s, como a do lixo, por exemplo – podem fazer um estrago medonho no gabinete do próprio Alan Guedes.

