Na visita que faz hodiernamente aos finais de tarde de sexta-feira, para amenizar o solipsismo do pai, meu filho número três, médico neurologista Rodrigo Melo, brincou comigo ontem, ao constatarmos que uma de nossas colegas de treino na natação é esposa de um colega médico dele, um psiquiatra, professor da UFGD. “Um bom psiquiatra para você”, disse, caçoando de meu lado hipocondríaco. Hoje, ao acordar, um estalo! Não, meu filho, não só de um psiquiatra, mas também de um neurologista! A menos que se explique o esquecimento imperdoável de outro colega seu, médico pediatra, que, aliás, teve o privilégio de tê-lo nos braços antes de mim – o seu pediatra, Eduardo Otávio Teixeira Marcondes!
A constatação do lapso de memória veio naquele momento (para mim), logo nas primeiras horas do dia, em que compulsoriamente não há outra coisa a fazer a não ser esperar a fita voltar lentamente. E ela parou quando terminou a relação dos suplentes de senador fornecidos por Dourados aos campo-grandenses, no texto em que avento a possibilidade de assunção do primeiro-suplente da senadora Simone Tebet, o ruralista Celso Dal Lago, em consequência da candidatura da titular da cadeira à presidência da República. Logo Eduardo Marcondes, que seria o primeiro-suplente do pai de Simone, Ramez Tebet, e que à última hora foi “rebaixado” para a segunda-suplência, também de forma compulsória cedendo a vaga ao então ex-deputado campo-grandense Walter Pereira de Oliveira?
Aí entra a já consolidada crença popular de que enquanto não se retirar a cabeça de burro enterrada aos pés do tenente Antônio João Ribeiro, no monumento em homenagem ao herói da Guerra do Paraguai, na praça que leva seu nome, no centro da cidade, os políticos douradenses vão continuar amargurando como coadjuvantes. E, mais intrigante ainda, não perdendo posições que, pela lógica, Dourados teria direito no cenário estadual, apenas para os campo-grandenses. Aí está o que só pode ser uma vingança do ex-distrito de Vila Brasil, hoje a poderosa Fátima do Sul, que deu ao estado dois dos políticos mais influentes e matreiros de nossa história, André Puccinelli e Londres Machado, podendo-se somar, já, a esta lista, a deputada Rose Modesto, que já foi vice-governadora e está agora de olho na cadeira principal do Parque dos Poderes, ela que é de Culturama, distrito de qual município? Lembrando, a propósito, já que o assunto é Simone Tebet, que o pai dela, ex-prefeito de Três Lagoas, foi governador do estado e Senador da República, além de superintendente da SUDECO e ministro da Integração Nacional. E o senador Delcídio do Amaral? Menos mal que este não é de Dourados.
Aí está o que só pode ser uma vingança do ex-distrito douradense de Vila Brasil, que deu ao estado dois dos políticos mais influentes e matreiros de nossa história, André Puccinelli e Londres Machado
O lance do “rebaixamento” de Eduardo Marcondes é o que mais didaticamente esclarece essa história e sua omissão no texto sobre a possibilidade de Celso Dal Lago Rodrigues ter, enfim, sua chance, talvez seja coisa dos deuses, ou dos mentores do blogueiro e de Marcondes, para que seu histórico alijamento do processo político tenha a explicação merecida e dê a dimensão exata do quanto a elite política do estado (aí incluído, além de André Puccinelli e Londres Machado, o Rasputin do Taquari, João Leite Schmidt), zomba das ditas lideranças douradenses.
Explico. Quando da formação da chapa para a reeleição de Ramez Tebet, em 2002, coube ao ex-prefeito Braz Melo, então chefão político do PMDB em Dourados, indicar o candidato a primeiro-suplente. O nome escolhido, o de seu ex-secretário de Saúde, o vereador Eduardo Marcondes. Na hora do “vamo vê”, na convenção partidária, sabe-se lá por que cargas d’água, mas certamente já pela influência da tal cabeça de burro, o nome de Marcondes foi trocado pelo do ex-deputado Walter Pereira de Oliveira, pai do hoje deputado federal Beto Pereira. Coisa, certamente, de algum espírito zombeteiro que, profeticamente, impediu que Dourados tivesse seu tão sonhado primeiro senador, embora não fosse esse o caminho desejado, já que Ramez Tebet viria a falecer ao final dos primeiros quatro anos de seu segundo mandato, assumindo a vaga o primeiro-suplente Walter Pereira.
Não menos profético, e premonitório, o bordão que marcaria o mandato do vereador Eduardo Marcondes, em suas veementes críticas à administração petista de Laerte Tetila – Isso é um absurdo! Da mesma forma, mais absurdo, ainda, mas providencial, embora o blog assuma como errata, o esquecimento de seu nome na relação do texto anterior, dos vices e suplentes. Talvez seja coisa para se esquecer mesmo!
