Animada com o exponencial crescimento – subiu de 1% para 2% – na última pesquisa Datafolha, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) causou polêmica nas redes sociais, pela soberba do “quem me conhece vota em mim”. Supondo-se que estivesse certa, uma fala totalmente desnecessária, pois mesmo que sua candidatura tivesse unanimidade no estado onde é conhecida isso não faria a menor diferença no universo dos votos dos brasileiros de outros estados, onde ela é uma ilustre desconhecida, exceto pelos cinco minutos de fama da CPI da Covid. Como se vê, pela repercussão negativa no eleitorado mato-grossense do Sul após sua fala, com peremptórios “conheço, não voto!”, a filhota do saudoso senador Ramez Tebet poderia muito bem ter ido dormir sem essa, vitimada pelo velho dito popular “quem não te conhece é que te compra”.
Pega pra capá– Obrigada a se expor nas mais importantes bancadas da imprensa nacional, Simone Tebet começa a dar demonstrações do quão frágil é o seu preparo ante a envergadura de uma candidatura presidencial. Tudo bem, todas essas aparições servem apenas como um “esquenta” para os debates entre os presidenciáveis, que já começam a ser agendados pelos grandes conglomerados de comunicações do país. Mas, aí, os adversários não vão deixar barato deslizes como o do “Canal Livre” na Band, quando o tarimbado Fernando Mitre deixou barato a derrapada da candidata emedebista ao Planalto atribuindo a Tancredo Neves a famosa frase do também mineiro Magalhães Pinto – “a política é como uma nuvem, você olha ela está de um jeito; olha de novo já mudou”. E, convenhamos, é muito pouco ter como bandeira de uma campanha presidencial apenas a planta de uma enrolada indústria de fertilizantes subsidiária da Petrobras em sua cidade quando era prefeita.
Alento – Mas nem tudo está perdido para Simone Tebet, que já passa à história pelo simples fato de ter topado tamanha empreitada. No mesmo Datafolha, ela empataria, hoje, com Bolsonaro num hipotético segundo turno. O mesmo Bolsonaro que Simone “convocou” da tribuna do Senado “a pegar seu quepe e governar porque no Brasil capitão manda mais que general”. Incoerências à parte, aí, claro, dependendo da performance nos debates, com chances reais de se tornar a segunda “presidenta” da República, pela enxurrada de votos que teria da companheirada de Lula & Cia.
Segura o tchan! – Que não se assustem os eleitores se daqui a pouco seus candidatos começarem a encenar a famosa dança da boquinha na garrafa nas redes sociais. Rebolando já estão. Alguns descendo… descendo…. devagarinho. O problema é descer demais e não conseguir se levantar. Nesta onda, levando vantagem o ex-prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad, como atleta acostumado a jogar bola nos campos de terrões aonde chega. Ele é um dos mais assanhados e começou treinando em casa, com as netas.
Xô bairrismo! – Como capital do estado Campo Grande é a cidade de todos os mato-grossenses do Sul, com boa parte, senão a grande maioria, da população oriunda do interior. Daí a estratégia de alguns candidatos de lá concentrar seus “QGs” de campanha, como fez esta semana o douradense Waltinho Carneiro, instalando sua Coordenação (não confundir com comitês) no bairro Anhanduizinho. Outro douradense que está focando mais seu trabalho na capital é Geraldo Resende, com escritório político instalado numa torre nos altos da avenida Afonso Pena. Ambos disputam uma das oito cadeiras de deputado federal.
Simples assim – Fenômeno eleitoral em 2018, no rastro de Jair Bolsonaro, sendo o mais votado deputado estadual, com mais de 78 mil votos, o deputado Capitão Contar promete repetir o feito agora como candidato a governador pelo PRTB. Com sua anunciada campanha “100% bolsonarista” e o discurso do novo, anticorrupção, por sua matemática basta que cada um de seus eleitores de 2018 traga cinco votos para a eleição de governador e ele estará no segundo turno, chegando ao mesmo patamar – 400 mil votos – de Odilon de Oliveira, que deu um susto danado em Reinaldo Azambuja no segundo turno daquelas eleições.
Algoritmos – Coincidência ou não o ex-governador André Puccinelli, acreditando que vai continuar liderando as pesquisas e afirmando que só desiste da disputa se morrer, tem dito à boca pequena que vai disputar o segundo turno com o capitão Contar. Pode ser também parte da estratégia do terrorismo por conta da tal “operação fim do mundo”, que alguns andrezistas acreditam piamente estar para estourar, não deixando pedra sobre pedra no Parque dos Poderes, com estilhaços por prefeituras e câmaras de vereadores por todo o estado.
Briga de foice – André Puccinelli tem percorrido o estado de carona com Karlos Bernardo, um dos donos da UCP – Universidade Central do Paraguai. Karlos é o nome que Puccinelli procurava para representar as regiões da Grande Dourados e da fronteira. Para recuperar pelo menos a cadeira que por último foi do ex-ministro Carlos Marun, na Câmara Federal, o jovem fronteiriço terá que desbancar outros dois emedebistas de quatro costados – o ex-senador Waldemir Moka e o vereador dr. Jamal, de Campo Grande.
Missão – Além de tentar recuperar para Dourados, onde também tem residência, a cadeira que por último foi de Geraldo Resende, na Câmara dos Deputados, em Brasília, o empresário Karlos Bernardo tem ainda a responsabilidade de resgatar a representatividade da região da fronteira, acéfala no Congresso Nacional desde a morte do deputado Flávio Dérzi e de seu pai, o senador Rachid Saldanha Dérzi. Fronteira que num passado não tão remoto elegeu, além do senador Rachidão, outros deputados federais, como Ubaldo Barém, Dilso Sperafico e Oscar Goldoni, sem contar Weimar Torres, cuja família também era de Ponta Porã.
Derli – O advogado e ex-vereador pedetista-brizolista João Derli, que morreu nesta terça-feira era só mais um dos douradenses adotados que sonhava ver um representante da terra de seu Marcelino ocupando uma cadeira no Senado. Com a diferença de que tentou transformar este sonho em realidade, colocando o próprio nome à disposição do partido, e fazendo bonito, em 2002, quando ficou atrás apenas de Ramez Tebet e de Delcídio do Amaral, os dois eleitos naquele pleito. Detalhe, Derli obteve mais votos (32.580) em Dourados do que o até ali imbatível ex-governador Pedro Pedrossian (27.180).
