O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o terceiro entrevistado da série que o Jornal Nacional vem conduzindo com os candidatos ao Palácio do Planalto mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto. O petista fez elogios ao vice, o ex-governador e ex-adversário Geraldo Alckmin (PSB), ironizou o presidente Jair Bolsonaro (PL), seu principal concorrente, criticou a operação Lava-Jato e evitou se comprometer em seguir a lista tríplice apresentada pelo Ministério Público Federal na indicação do procurador-geral da República.
O petista reconheceu que houve corrupção no seu governo. Confrontado com a admissão dos esquemas na Petrobras por parte de delatores, Lula respondeu que “você não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram”, mas emendou o raciocínio com uma crítica às delações na Lava-Jato, acusando a força-tarefa de “premiá-las” por “falar o que o Ministério Público queria”. No decorrer da entrevista, Lula apresentou em tom conciliador mirando uma ampliação de seu eleitorado, citando diversas vezes o vice Geraldo Alckmin (PSB).
“É o bobo da corte”
Ao tratar da relação que pretende ter com o Congresso caso seja eleito, Lula ironizou Bolsonaro, seu principal adversário:
— O (Jair) Bolsonaro não manda nada. É refém do Congresso. Sequer cuida do orçamento. (Arthur) Lira (presidente da Câmara) que libera verba. Bolsonaro parece o bobo da corte.
“As pessoas confessaram”
O ex-presidente se esquivou do posicionamento sobre a corrupção na Petrobras — a empresa recuperou R$ 6 bilhões em recursos desviados ao longo do esquema. Primeiro, disse que não há como negar a corrupção, se houve delatores confirmando a existência. Depois, insinuou que as confissões só vieram à tona porque foram forçadas pelo Ministério Público.
— Você não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram. (Os delatores) Ficaram ricos por conta de confessar. Você não só ganhava liberdade por falar o que queria o MP (Ministério Público), como ficava com metade do que roubou.
“Ciúme do Alckmin”
O ex-presidente se referiu a Alckmin, seu vice, em mais de um momento, sempre em tom elogioso. O ex-tucano é uma das apostas da campanha do PT para ampliar o eleitorado e superar resistências em setores mais refratários ao petista.
— Estou até com ciúme do Alckmin. Você tem que ver que sujeito esperto. Ele é habilidoso. No dia 7 de maio, quando ele foi apresentado oficialmente ao PT, eu fiquei com inveja, ele foi aplaudido de pé. O Alckmin já foi aceito pelo PT de corpo e alma.
“Pulguinha atrás da orelha”
Em outro momento, Lula se negou a assegurar que vai seguir a lista tríplice apresentada pelo Ministério Público Federal para o cargo de procurador-geral da República — o modelo foi seguido pelo petista e por Dilma Rousseff enquanto ocuparam a Presidência.
— Quero que fiquem com a pulguinha atrás da orelha. Esse negócio deficar prometendo as coisas antes de ganhar, a gente comete erro.
Os “equívocos” de Dilma
O ex-presidente fez elogios a Dilma, a quem chamou de competente, mas também citou o que avalia terem sido erros da petista enquanto estava na Presidência.
— Acho que Dilma cometeu equívocos na questão da gasolina, na hora que fizeram R$ 540 bilhões de desonerações… E, quando ela tentou mudar, tinha dupla dinâmica contra ela: Eduardo Cunha e Aécio (Neves).
Na base da “conversa”
O ex-presidente chamou o orçamento secreto de “excrescência”, não detalhou como pretende atuar para superar o mecanismo, mas afirmou que buscará, se eleito, diálogo constante com os parlamentares.
— Quem ganhar as eleições vai ter que conversar com o Congresso. Não conversar com o Centrão, que não é um partido político. Vai conversar com os partidos separados.
“Fora dos limites”
Lula criticou a Operação Lava-Jato, que, segundo ele, tinha o “objetivo” de condená-lo.
— A Lava-Jato enveredou por um caminho político delicado. A Lava-Jato ultrapassou o limite da investigação e entrou no limite da política.
“Cervejinha e churrasquinho”
O petista aproveitou a entrevista em rede nacional para usar uma imagem que já vem aparecendo em seus discursos: a de que a população vai voltar a ter carne à mesa.
— O povo, eu digo sempre: o povo tem que voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha. (O Globo).
