17.9 C
Dourados
segunda-feira, maio 11, 2026

Putin ameaça com guerra nuclear

Medida envolve 300 mil reservistas, segundo ministro da Defesa; presidente russo voltou a atacar países ocidentais

- Publicidade -

Em pronunciamento à nação pela TV, nesta quarta-feira, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou uma “mobilização parcial” dos russos em idade de combater na Ucrânia e advertiu o Ocidente que o país está disposto a utilizar “todos os meios” em sua defesa.

O ministro da Defesa do país, Serguei Shoigu, explicou que a ordem envolve 300 mil reservistas, o que, em suas palavras, representa apenas “1,1% dos recursos que podem ser mobilizados”. A ordem é efetiva a partir desta quarta-feira. O decreto foi publicado pouco depois da exibição do discurso na página do Kremlin.

— Chantagem nuclear tem sido usada, e não estamos falando apenas do bombardeio da usina de Zaporíjia. Mas também de pronunciamentos de altos representantes da Otan sobre a possibilidade de usarem armas de destruição em massa contra a Rússia — declarou Putin, que acusou os países ocidentais de querer “destruir” a Rússia, dando a entender que suas forças estariam dispostas a utilizar armamento nuclear. — Usaremos todos os meios à nossa disposição para proteger a Rússia e nosso povo. Isto não é um blefe.

Após o anúncio, na terça-feira, sobre a organização de “referendos” de anexação de quatro regiões do leste e do sul da Ucrânia a partir de sexta-feira, as declarações do presidente russo marcam uma mudança no conflito, iniciado em 24 de fevereiro.

No pronunciamento, Putin atacou mais uma vez os países ocidentais, que segundo ele “superaram todos os limites em sua política agressiva” e os acusou de querer “enfraquecer, dividir e, no final das contas, destruir” a Rússia.

—Também fizeram chantagem nuclear […] Gostaria de recordar aos que fazem este tipo de declaração que nosso país também possui vários meios de destruição, alguns deles mais modernos que os dos países da Otan — declarou.

Diante das contraofensivas relâmpago das forças ucranianas, que provocaram o recuo do Exército russo, Putin optou por uma escalada no conflito, com uma medida que abre o caminho para o envio de mais militares russos à Ucrânia. Nos últimos dias, rumores sobre uma mobilização geral provocaram preocupação entre muitos russos.

— Considero necessário apoiar a proposta (do ministério da Defesa) de mobilização parcial dos cidadãos na reserva, aqueles que já serviram e que têm experiência pertinente — declarou Putin, deixando claro que não se trata de uma mobilização geral. — Estamos falando apenas de uma mobilização parcial.

No sábado, o presidente americano Joe Biden mais uma vez alertou Putin contra o uso de armas não convencionais ou nucleares e disse que os EUA dariam uma resposta “consequencial” se os russos recorrerem a este tipo de armamento.

Após o pronunciamento, a embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia, Bridget Brink, disse que a mobilização representa um “sinal de fraqueza” de Moscou, que precisa lidar com uma escassez de militares em sua ofensiva na Ucrânia, que esta semana completa sete meses.

O Reino Unido seguiu a mesma linha. O secretário britânico de Defesa, Ben Wallace, afirmou que a decisão de Putin mostra que sua ofensiva “está falhando” e destacou que “a comunidade internacional está unida, enquanto a Rússia está virando um pária global”.

Bombardeio em usina

As forças russas sofreram diversos reveses nas últimas semanas, em contraofensivas ucranianas nas regiões de Kherson, no Sul, e de Kharkiv, no Nordeste, onde os russos foram obrigados a ceder território.

Nesta quarta, Shoigu anunciou que o Exército russo registrou as mortes de 5.937 soldados desde o início da ofensiva, um balanço oficial muito superior ao anterior, mas que bem muito abaixo das estimativas ucranianas e ocidentais, que citam dezenas de milhares de baixas.

Putin ameaça com guerra nuclear
Visão geral da usina nuclear de Zaporíjia, ocupada pela Rússia, vista de Nikopol — Foto: Ed Jones / AFP

Os combates e bombardeios prosseguiam nesta quarta-feira e as autoridades ucranianas acusaram a Rússia de atacar novamente o complexo da central nuclear de Zaporíjia, no Sul do país, a maior da Europa. O ataque teria danificado uma linha de energia, causando o desligamento de vários transformadores do reator número 6 da usina.

“Nem mesmo a presença de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) parou os russos”, afirmou a Energoatom, que pediu ao órgão da ONU que tome “medidas mais decisivas” contra Moscou.

A usina de Zaporíjia, ocupada pelas forças russas desde as primeiras semanas da invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro, foi alvo de repetidos bombardeios nos últimos meses. Kiev e Moscou acusam-se mutuamente, numa espécie de chantagem nuclear. (AFP).

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-