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sexta-feira, junho 12, 2026

Na Rota de traficantes em francês

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Na Rota de Traficantes, meu livro publicado em 2019, como o próprio título indica, trata do tráfico de obras de arte entre o Paraguai, o Mato Grosso do Sul, São Paulo e a França. Foi apresentado pela professora Claudia Marczak com as seguintes palavras:

“O leitor acompanha uma operação policial de tirar o fôlego. De país em país, cada etapa da ação possui uma riqueza de detalhes intensa, que nos transporta para cada situação vivida pelos personagens e elucida os movimentos que os traficantes realizam para levar a cabo a intenção de lavar o dinheiro obtido de maneira vil.”

Fiquei feliz ao vê-lo traduzido para o francês. Neste momento, ele está em pré-lançamento pela editora francesa Hello Éditions, com o título Au cœur du trafic d’œuvres d’art.

A dificuldade de lançar livros por aqui, quando não se é um Chico Buarque, é grande. Por isso, ficamos contentes quando conseguimos furar o cerco e chegar ao público francês.

Nessa difícil arte de editar livros, preciso dizer que meu primeiro livro foi publicado em língua francesa Ouvrières chez Bidermann. A obra aborda um grupo de representantes dos trabalhadores da empresa Bidermann, sindicalistas que me contaram como foi a vida da companhia, e de seus trabalhadores, nos anos 1970, quando o proprietário foi adquirindo outras empresas e formando um grupo com mais de dez mil trabalhadores. Aos poucos, porém, com a transferência da indústria de confecção para outros países — culminando com sua instalação na China —, os direitos conquistados pelos trabalhadores foram sendo perdidos, enquanto as indústrias francesas onde trabalhavam fechavam suas portas.

O segundo livro publicado inicialmente em francês foi L’Exil ouvrier, resultado de minha pesquisa de pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Posteriormente, traduzi a obra para o português, com o título Trabalhadores Exilados. O livro reúne memórias de trabalhadores brasileiros que receberam apoio dos franceses, especialmente por intermédio dos sindicatos, durante a ditadura de 1964-1985.

Lembranças do Sítio, traduzido como Mon enfance dans le Mato Grosso, tem suas raízes no sítio da 7ª Linha, hoje município de Glória de Dourados, onde nasci. Nele conto como uma criança via a vida no campo nos anos 1960.

Nascentes Vivas, nome de um projeto desenvolvido na Aldeia de Dourados, foi traduzido como Sources Vivantes com a intenção de apresentá-lo aos franceses e, por meio dos recursos obtidos, contribuir financeiramente para a iniciativa, que visava desassorear nascentes da região e promover educação ambiental junto à população local.

Maria d’Apparecida: negroluminosa voz, publicado na França com o título Maria d’Apparecida, une Maria pas comme les autres, é o sétimo da lista de quinze livros que os franceses podem ler.

Voltando à edição francesa de Na Rota de Traficantes, ela pode ser encontrada aqui: https://www.helloeditions.fr/produit/au-coeur-du-trafic-doeuvres-/https://www.helloeditions.fr/produit/au-coeur-du-trafic-doeuvres-dart/

A edição brasileira está disponível aqui: https://loja.uiclap.com/titulo/ua91098/

E assim a literatura da nossa terra chega aos leitores europeus.

Boa leitura!

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