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sábado, julho 25, 2026

Sem vice, sem apoio do Centrão e sem presença de Michelle, PL oficializa candidatura de Flávio em convenção em SP

Evento terá participação de Javier Milei, presidente da Argentina, e de aliados paulistas como o governador Tarcísio de Freitas

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O Partido Liberal (PL) realiza, neste sábado (25), a convenção nacional que vai oficializar o senador Flávio Bolsonaro como candidato à presidência da República. Apadrinhado pelo pai Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível e em prisão domiciliar, para representá-lo nas urnas, Flávio chega ao evento em situação diversa do pai em 2022: sem vice definido, sem apoio de partidos do centrão que estiveram na coligação do ex-presidente e pressionado por suspeitas de envolvimento com o escândalo do Banco Master.

O encontro, no entanto, acontece após um respiro para Flávio. Após quase um mês de rusga pública com a madrasta, Michelle Bolsonaro, os dois fizeram as pazes anteontem com vídeos divulgados nas redes sociais. Apesar da reconciliação, a ex-primeira-dama não deve comparecer à convenção, uma vez que permanecerá com o mairdo em Brasília. A expectativa é que, com a trégua, haja pelo menos uma participação em vídeo de Michelle.

Nos bastidores, dirigentes avaliam que a participação da madrasta do senador, ainda que remota, ajudará a reduzir o desgaste provocado pelo rompimento anterior. Além da gravação, Flávio também deve citar nominalmente a parente durante o discurso em que será oficializado candidato, em mais um gesto para demonstrar que a crise foi superada.

A convenção será realizada na Mercado Livre Arena Pacaembu, a partir das 10h, e terá a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, que deve discursar no palco. Antes da convenção, Milei vai se reunir com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no Palácio dos Bandeirantes.

A escolha pela capital paulista também difere de seu pai, que há quatro anos foi lançado pelo PL como candidato no Rio de Janeiro, reduto da família Bolsonaro, já que o palanque da direita no estado ainda enfrenta percalços, especialmente em relação ao vice e à segunda vaga ao Senado. Em São Paulo, por outro lado, a chapa está completa e ele tem a seu favor Tarcísio e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) em seu palanque. Os dois são considerados por integrantes da campanha como ativos eleitorais importantes para alavancar o nome de Flávio, principalmente na cidade de São Paulo, que na eleição passada deu vitória a Lula (PT), e na Região Metropolitana.

No estado, ele conseguiu uma aliança maior: além de Tarcísio representando o Republicanos e Nunes o MDB, a federação União-PP é representada por Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado. Completa a chapa majoritária o deputado estadual André do Prado (PL), que também tenta se eleger senador.

A candidatura de Flávio será oficializada sem nome de vice definido, e a escolha deve ser adiada para mais próximo do fim do prazo das convenções partidárias, em 5 de agosto. Uma chapa “puro sangue” não está descartada. Isso porque o Partido Progressistas (PP) já definiu que não vai integrar a coligação com o PL, diferentemente de 2022. Nesta semana o presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira, optou pela neutralidade na disputa nacional e liberou os diretórios estaduais de apoiarem quem quiserem.

Em São Paulo, por exemplo, o PP já formalizou apoio a Flávio. Em outros estados, como na Paraíba, a legenda vai apoiar Lula. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) era uma das cotadas para ocupar a vice de Flávio, mas negou o convite. Como o PP faz parte da federação com o União Brasil, a sigla presidida por Antonio Rueda também deve ficar neutra. Agora, a última esperança do partido é uma aliança com o Republicanos, que também se encaminha para a neutralidade. O Solidariedade é outra sigla que não deve apoiar nem Lula nem Flávio. Sem coligações com outros partidos grandes, além de ter menos opções para vice, Flávio não consegue ampliar o tempo de TV e rádio.

Caso Master e desempenho em pesquisas

Flávio chega à convenção pressionado por suspeitas de envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Tudo começou em maio, quando foram revelados os primeiros diálogos do político pedindo dinheiro ao banqueiro para custear “Dark Horse”, filme que contará a trajetória de Jair Bolsonaro na eleição de 2018. Depois, veio à tona a visita que Flávio fez a Vorcaro quando ele já estava em prisão domiciliar, e mais recentemente uma foto do senador ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, parceiro de Vorcaro.

As revelações, seguidas de justificativas contraditórias de Flávio, culminaram em quedas nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento feito pela Genial/Quaest mostrou Lula liderando no primeiro turno, com 40% de intenção de votos contra 28% de Flávio. No segundo turno, o petista marca 45% contra 37% do postulante do PL.

A pré-campanha de Flávio foi marcada por mais desgastes. O escritório de advocacia do pré-candidato à Presidência da República foi contratado por uma empresa ligada a uma consultoria que recebeu repasses do Banco Master. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles e confirmado pelo GLOBO. O parlamentar afirmou nas redes sociais que a relação é “completamente legal e privada”.

A banca que tem o presidenciável como único sócio recebeu R$ 500 mil da Contábil Correa pelo serviço de “assessoria jurídica”, de acordo com uma nota fiscal emitida em 9 de abril de 2025. A empresa de contabilidade, por sua vez, tem como único sócio o empresário Rogério Lourenço Novo, que também é diretor da consultoria de gestão empresarial Copenhagen. Documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado mostram que o Master repassou R$ 57,9 milhões à Copenhagen entre 2024 e 2025. Não há no material em poder do colegiado informações sobre as datas exatas dos pagamentos.

Uma mudança na postura de Flávio, que vinha adotando tom mais moderado e se colocando como “o Bolsonaro que tomou vacina” da Covid-19, de forma a se diferenciar do pai para angariar um eleitorado mais ao centro, também vem lhe causando atritos. Na última terça-feira (21), o senador abriu um evento com embaixadores e representantes diplomáticos de diversos países citando dados falsos sobre as urnas e convidou observadores internacionais a acompanharem as eleições de outubro.

Posteriormente, a campanha divulgou uma nota na qual negou que o candidato tenha colocado em dúvida o processo eleitoral brasileiro e acrescentou que o convite para a presença de observadores internacionais “segue uma prática adotada em diversas democracias e reforça a transparência no sistema eleitoral”. O discurso sobre as urnas foi criticado por outros pré-candidatos ao Planalto, como Ronaldo Caiado (PSD), que disse que, com 42 embaixadores numa sala, “dava para vender soja, abrir mercado para indústria, atrair investimento”, mas “escolheram falar de urna eletrônica”. Flávio também tem subido o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF), após meses de trégua, especialmente após a decisão do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu as visitas ao pai por 90 dias, praticamente durante todo o período eleitoral.

Hyndara Freitas/O Globo — São Paulo

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