O autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu na manhã desta terça-feira, aos 95 anos, em São Paulo. A morte foi confirmada pela assessoria do HCor, hospital onde o escritor estava internado. Em boletim, a instituição informou que o dramaturgo morreu em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica (IRC). Considerado um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, Benedito deixa um legado de obras que marcaram a televisão nacional, como Pantanal, Renascer, O Rei do Gado, Terra Nostra e Esperança, responsáveis por transformar o interior do Brasil em protagonista das novelas.
Nos últimos anos, Benedito Ruy Barbosa enfrentava problemas de saúde que reduziram suas aparições públicas. Segundo o HCor, o dramaturgo convivia havia três anos com um diagnóstico de insuficiência renal crônica (IRC) e tinha um histórico de reinternações provocadas por infecções recorrentes do trato urinário. Em janeiro deste ano, permaneceu 19 dias internado para tratar uma infecção urinária associada ao quadro renal. Nesta segunda-feira (6), um dia antes de sua morte, o hospital havia informado que ele seguia sob cuidados médicos e sem previsão de alta.
Durante o período, familiares desmentiram rumores que circulavam nas redes sociais e afirmaram que Benedito não tinha Alzheimer nem outra doença neurodegenerativa, ressaltando que permanecia lúcido. Por orientação médica, também deixou o sítio onde vivia, no interior paulista, para morar próximo da família na capital.
Nascido em Gália, no interior de São Paulo, em 17 de abril de 1931, Benedito Ruy Barbosa construiu uma carreira que atravessou diferentes fases da televisão brasileira. Enquanto grande parte das produções concentrava seus enredos nos centros urbanos, o autor voltou seu olhar para o campo, retratando tradições, disputas por terra, preservação ambiental e relações familiares.
Em especial, Pantanal, exibida originalmente em 1990, tornou-se um marco da dramaturgia ao romper padrões estéticos e colocar a natureza como elemento central da narrativa. Décadas depois, a história voltou à televisão em uma nova adaptação, confirmando a força e a permanência de sua obra.
Ao longo da carreira, Benedito recebeu prêmios e homenagens, consolidando-se como um dos escritores que ajudaram a definir a identidade da novela brasileira. Deixa os filhos Edmara, Edilene, Ruy Maurício e Marcelo, além de dez netos, entre eles o autor Bruno Luperi, que seguiu seus passos na televisão. O velório será realizado a partir das 15h desta terça-feira no Funeral Home, na Rua São Carlos do Pinhal, 376, no bairro da Bela Vista, em São Paulo.
Anna Júlia Steckelberg/O Globo — Rio de Janeiro
