A confirmação das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) a reforçar o papel da diplomacia parlamentar na defesa dos interesses nacionais. Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, o parlamentar avalia que, embora o impacto sobre setores importantes da economia permaneça, a ampliação das exceções demonstra que o diálogo institucional continua sendo o instrumento mais eficiente para evitar uma escalada comercial entre os dois países. O novo pacote tarifário anunciado pelo governo Donald Trump colocou novamente Brasil e Estados Unidos diante de uma mesa de negociações delicada, onde cada palavra pode significar empregos preservados ou mercados perdidos.
O anúncio americano confirmou a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das exportações brasileiras, mas também ampliou a lista de exceções em relação à proposta inicial. Produtos como ferro-gusa, determinados couros, madeira, mel orgânico e café instantâneo ficaram de fora da medida, resultado atribuído pelo próprio governo americano ao longo processo de consultas públicas, manifestações do setor produtivo e negociações institucionais realizadas ao longo de um ano.
Não é um detalhe irrelevante. Em momentos de tensão comercial, costuma haver duas tentações igualmente perigosas: comemorar qualquer concessão como uma vitória definitiva ou tratar toda negociação como fracasso. Nelsinho preferiu outro caminho. Reconheceu que o resultado final ficou menos severo do que o inicialmente proposto, mas advertiu que segmentos importantes da economia brasileira continuam sujeitos às novas tarifas, entre eles máquinas agrícolas, aço, papel, calçados, vestuário e equipamentos ligados à mineração.
Essa postura talvez revele mais sobre sua atuação política do que o próprio conteúdo da nota. Em vez de transformar uma disputa comercial em batalha ideológica, o senador procura manter aberta a interlocução com autoridades americanas, parlamentares dos Estados Unidos e representantes do setor produtivo. É uma escolha que combina com a natureza da Comissão de Relações Exteriores, onde a retórica costuma produzir menos resultados do que a diplomacia.
Para o Mato Grosso do Sul, essa discussão tem peso específico. O Estado consolidou-se como uma das grandes plataformas brasileiras de produção agroindustrial, mineração, celulose e exportação. Qualquer alteração no fluxo comercial com um dos maiores mercados do mundo repercute diretamente sobre investimentos, empregos e arrecadação. Não por acaso, a preocupação expressa por Nelsinho extrapola Brasília e alcança setores estratégicos da economia sul-mato-grossense.
Outro aspecto importante da manifestação é o equilíbrio em relação aos instrumentos de reação do Brasil. O senador lembra que o Congresso aprovou a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo que fortalece a posição brasileira nas negociações internacionais. Ao mesmo tempo, adverte que eventual utilização desse instrumento deve obedecer a critérios técnicos e levar em conta seus efeitos sobre a própria economia nacional. A mensagem é clara: firmeza não precisa significar precipitação.
Curiosamente, a própria decisão americana deixa aberta uma fresta para novas conversas. O governo dos Estados Unidos informou que as tarifas poderão ser revistas caso haja avanços nas tratativas bilaterais. Ou seja, o anúncio não encerra o processo; inaugura uma nova etapa de negociação.
É exatamente aí que o papel institucional de Nelsinho Trad ganha relevância. Como presidente da Comissão de Relações Exteriores, ele deixa de falar apenas como senador por Mato Grosso do Sul e passa a ocupar um espaço de interlocução entre o Parlamento brasileiro, o Congresso americano e os setores econômicos diretamente afetados. Em tempos de radicalização política, talvez pareça pouco. Na prática diplomática, costuma ser muito.
A política externa raramente produz manchetes diárias. Quase sempre avança em reuniões discretas, telefonemas reservados, audiências técnicas e negociações que passam despercebidas pelo grande público. Quando funcionam, quase ninguém percebe. Quando fracassam, todos sentem as consequências.
Talvez seja justamente por isso que o episódio das novas tarifas americanas vá muito além de uma disputa comercial. Ele mede a capacidade das instituições brasileiras de responder com serenidade, defender seus interesses e preservar canais de diálogo mesmo em cenários adversos. E, nesse momento, é exatamente essa a missão que recai sobre a Comissão de Relações Exteriores presidida por um senador de Mato Grosso do Sul.
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