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terça-feira, julho 21, 2026

O reflorescimento dos canteiros centrais

Revitalização dos canteiros centrais anunciada por Marçal Filho resgata uma das marcas urbanas mais lembradas das administrações de Humberto Teixeira e Laerte Tetila e devolve ao debate uma velha certeza: cuidar da cidade também é fazer política pública

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Os canteiros floridos da Avenida Marcelino Pires estão entre as lembranças mais bonitas de quem acompanhou as administrações de Humberto Teixeira e, mais tarde, de Laerte Tetila. Durante anos, eles deixaram de ser apenas parte do paisagismo urbano para se transformar numa espécie de cartão de visitas de Dourados. Ao anunciar a revitalização de quatro canteiros centrais, começando justamente pela principal avenida da cidade, o prefeito Marçal Filho resgata uma ideia que marcou época e que muitos douradenses imaginavam perdida.

Agora, ao anunciar nesta segunda-feira a revitalização de quatro canteiros centrais da região central, começando justamente pela Marcelino Pires, o prefeito Marçal Filho recupera uma ideia que parecia esquecida pelo poder público. A obra, orçada em R$ 358,7 mil, prevê calçadas acessíveis, novo paisagismo, iluminação rebaixada para valorizar os jardins, passarelas, bicicletário e a preservação das árvores centenárias existentes em outros trechos contemplados pelo projeto. O primeiro canteiro, entre as ruas Firmino Vieira de Matos e João Rosa Góes, já entrou em obras.

Mais do que a execução de uma licitação, a iniciativa recoloca em pauta um conceito que, por muito tempo, ajudou a construir a identidade visual de Dourados. Cidades também comunicam seus valores pela maneira como tratam seus espaços públicos. Uma avenida bem cuidada, uma praça arborizada ou um canteiro florido dizem muito sobre a relação entre o cidadão e o lugar onde vive.

É evidente que jardins não resolvem os grandes desafios urbanos. Flores não diminuem filas na saúde, não substituem investimentos em educação, nem tapam buracos espalhados pelas ruas. Mas também é verdade que cidades não sobrevivem apenas de obras estruturantes. Elas precisam cultivar autoestima. E poucas intervenções conseguem fazer isso de maneira tão silenciosa e eficiente quanto um espaço público limpo, organizado e bonito.

A decisão de iniciar justamente pela Avenida Marcelino Pires também carrega simbolismo. Muito mais que uma via de trânsito, ela sempre foi a sala de visitas de Dourados. É por ela que a cidade costuma ser apresentada aos visitantes e é nela que muitos moradores enxergam um retrato do cuidado — ou do abandono — da administração municipal.

O projeto anunciado por Marçal Filho prevê esta primeira etapa em quatro canteiros, mas a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos informa que outros 28 espaços já estão em fase de elaboração. Se o cronograma for cumprido e, principalmente, se a manutenção acompanhar a revitalização, Dourados poderá recuperar uma paisagem que marcou gerações. Porque jardins públicos não florescem apenas com terra, grama e flores. Florescem quando existe continuidade administrativa, manutenção permanente e respeito pelo patrimônio coletivo. Foi assim no passado. E é isso que a população espera ver novamente.

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