Depois dos primeiros apontamentos sobre a eleição mais difícil deste ano em Mato Grosso do Sul, feitos com um integrante do primeiro escalão do prefeito Marçal Filho muito bem entendido de números, ficou uma intrigante conclusão: o deputado federal mais votado não será nenhum dos bambambãs que já compraram terno ou tailleur para a posse, mas um anônimo. Nesta terça-feira, o anônimo deixou de ser anônimo, pelo menos para mim, depois de cruzar, na Casa Civil do Governo do Estado, com o ex-vereador Sidlei Alves, homem da mais estreita confiança do ex-vice-governador Murilo Zauith e do deputado Zé Teixeira. Apressado, desculpou-se por não poder me dar maior atenção, pois estava a caminho de uma reunião de estratégia da campanha de seu candidato a deputado federal. Não vou citar o nome, embora seja óbvio, porque estou cansado de fazer campanha de graça para esse povo.
Até havia levado minha listinha com os nomes de todos os candidatos a federal para uma avaliação conjunta com o chefe da Casa Civil, Waltinho Carneiro, este, sim, um craque nesse tipo de prognóstico. Preferi, porém, não tomar seu tempo diante de seu visível estado de cansaço, de tão assoberbado que anda por sua condição estratégica, tendo de conciliar as funções de Estado com as da campanha eleitoral de Eduardo Riedel. Mas, na volta, sozinho pela BR-163, num desses raros dias em que a antiga CCR não me deu motivos para estresse com seus infindáveis pare e siga, vim remoendo minha listinha.
Em que pese todo o fumacê fronteiriço que vira e mexe põe algumas nuvens negras em seu caminho, dificilmente a deputada estadual Mara Caseiro vai deixar no armário o tailleur comprado para a posse em Brasília desde que se reelegeu deputada estadual, quatro anos atrás. Da mesma forma, a ex-deputada Rose Modesto, que, por esses mesmos apontamentos, deve disputar com Mara e Marquinhos Trad o primeiro lugar desse pódio. Com esses três nomes, já temos até desenhada a eleição para a Prefeitura de Campo Grande daqui a dois anos: uma peleia daquelas entre Marquinhos Trad e Rose Modesto, ambos com recall que, por si só, já os credencia ao segundo turno. Rose tendo a prefeita Adriane Lopes como grande cabo eleitoral; Marquinhos carregando a condição de vítima da infamante campanha movida contra ele na eleição passada para o Governo do Estado.
Como são apenas oito cadeiras, o deputado Beto Pereira também estaria reeleito, pela mesma lógica de Rose Modesto, tendo a prefeita Adriane Lopes como principal cabo eleitoral, pois ele também tentou se sentar na cadeira hoje ocupada por ela. E, já que nos adiantamos até a próxima disputa pela Prefeitura de Campo Grande, vale lembrar que, para voltar a ser prefeito, Marquinhos Trad precisa agora ser o primeiro da turma de Lula, pois nela também está a deputada Camila Jara, forte candidata à reeleição. Até aqui já seriam cinco eleitos — e nem chegamos ao tal anônimo.
Para as três vagas restantes aparecem verdadeiros pesos pesados da política estadual, deputados com longa folha de serviços prestados ou reconhecidamente bons de voto: os douradenses Geraldo Resende, Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira (o gordinho do Bolsonaro) e Alan Guedes, além de Dagoberto Nogueira e Luiz Ovando. Já estaria faltando cadeira. Por exemplo, para a “felomenal” douradense Isa Cavala Marcondes, que se elegeu vereadora garantindo que “entendia de zona” e, mesmo descobrindo que na política o buraco é mais embaixo, agora tenta acabar com a “zona” em que virou o plenário da Câmara dos Deputados. Sem contar algum azarão, os de partidos menores que se elegem na “sobra” e até algumas incógnitas beneficiadas pelo nome ou pela herança familiar, ainda fica faltando a cadeira para o “anônimo” de Sidlei Alves, que já comprou outros significativos apoios na Grande Dourados e teria mais gás que a antiga Copagaz ou até que o programa Mais Gás, do Lula, para distribuir por todo o Estado. Quando o jatinho dele fizer um rasante aqui por cima do cafofo do insubordinado, quem sabe ele vire manchete!
