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sexta-feira, setembro 11, 2026

Os novos Guatás na França

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São três os doutorandos do Mato Grosso do Sul que participam do Programa de Bolsas Guatá Brasil–França neste ano letivo, que começa agora: dois da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e um da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). São eles: Alexandro da Silva Souza, Eriki Miller Lima Luiz Paiva e Benilda Vergilio.

Lembrando que o programa de bolsas é uma iniciativa da CAPES, em parceria com a Embaixada da França no Brasil, destinada à mobilidade acadêmica de doutorandas e doutorandos indígenas brasileiros para instituições de ensino e pesquisa na França, aberto a todas as áreas do conhecimento e por um período de 6 a 9 meses.

Alexandro da Silva Souza, do povo Terena, da Aldeia Brejão, Terra Indígena de Nioaque, vem da UFMS com um trabalho no campo da Geografia sobre Multitemporal do Uso e Cobertura do Bioma Cerrado da Terra Indígena de Nioaque/MS.

Eriki Miller Lima Luiz Paiva, igualmente do povo Terena, cuja pesquisa trata dos Créditos de Carbono e Compensações Ambientais em Territórios Indígenas no Brasil – Potencialidades, Contradições e Impactos Socioambientais, vai pesquisar junto às equipes de ciências e meio ambiente da Université Paris Cité.

Já Benilda Vergilio, da UFGD, indígena do povo Kadiwéu/Ejiwajegi com o tema Arte, Memória e lugar de fala Kadiwéu, vai trabalhar com Delphine Leroy, na Universidade Paris 8.

Nascida na Aldeia Alves de Barros, no município de Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul, Benilda tem uma trajetória marcada pela arte, pelo design, pela moda, pela cultura indígena e pela pesquisa acadêmica. Formada em Design pela Universidade Católica Dom Bosco, é conhecida pelo trabalho de criação de roupas e estampas inspiradas nos grafismos Kadiwéu.

Na área acadêmica, entre Sociologia e Antropologia Social, concluiu, no ano passado, seu mestrado na UFMS, com a dissertação Arte Ejiwajegi Kadiwéu e sinais diacríticos da cultura: matérias-primas, gêneros e grupos, uma pesquisa que procurou compreender os grafismos tradicionalmente produzidos pelos Ejiwajegi/Kadiwéu. Ela pesquisa sua própria cultura com a preocupação da transmissão desse conhecimento às novas gerações.

Agora, no doutorado na UFGD, no Programa de Pós-Graduação em Antropologia, em Paris, pelo Programa Guatá, ela vai pesquisar as coleções Kadiwéu conservadas no Musée du quai Branly–Jacques Chirac e os documentos do fundo Lévi-Strauss na Bibliothèque nationale de France. Lévi-Strauss, que escreveu Tristes Tropiques, após estadia e pesquisas junto aos povos indígenas do então Mato Grosso.

Assim, a pesquisadora Kadiwéu vai olhar, a partir de seu próprio lugar, para aquilo que durante muito tempo foi registrado, colecionado — objetos, documentos e registros de seu povo — e interpretado por pesquisadores não indígenas.

Mazé Torquato Chotil: Jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP antes de chegar em Paris em 1985. Atualmente vive entre Paris, São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Tem 15 livros publicados (seis em francês).

Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e é fundadora da UEELP – União Européia de escritores de língua Portuguesa. Escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus.

Recebeu os prêmios da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB): Prêmio Romance 2025, pelo livro Mares Agitados: Na periferia dos anos 1970, e Prêmio Biografia 2022, por Maria d’Apparecida: negroluminosa voz.

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