Ao contrário do que aqueles que gostam de tocar o terror nos bastidores poderiam imaginar, o tiro saiu pela culatra. Não conseguiram tirar o sono do governador Reinaldo Azambuja, que segue firme em seu propósito de passar – ele mesmo – a faixa governamental a seu pupilo Eduardo Riedel, “no alvorecer” de 2023. Nem mesmo a entrada em campo, esta semana, do decano deputado Londres Machado conclamando a companheirada do interior a cerrar fileiras com Eduardo Riedel pode ser vista como um sinal amarelo no Parque dos Poderes. “A candidatura Riedel é inabalável, um rolo compressor como jamais se viu na história política do ainda jovem Mato Grosso do Sul”, garantiu um assessor palaciano na manhã desta sexta-feira ao blog.
Nem precisa ser um expert na arte da política para entender a mensagem cifrada contida no lead deste texto. Quando Azambuja reitera sua determinação de manter o nome de Riedel como cabeça de chapa no páreo de 22, avisando que ele mesmo vai passar a faixa, reforça o recado já mandado, aqui mesmo, vice-governador Murilo Zauith e sua turma. O aviso do “alvorecer” de Riedel assim, entre aspas, sinaliza nem que toda a desgraceira por que passou André Puccinelli – flagrado em auguras de um novo e bom alvorecer para se referir à propina que receberia da gráfica Alvorada – impede o antecessor de fazer parte do projeto, como apoiador, é claro. E o que é mais importante: se o velho cacique fátima-sulense está no projeto é porque a coisa é boa (a candidatura de Londres a vice-governador de Delcídio do Amaral foi só um ponto fora da curva).
Mas, e o que dizer de Marquinhos Trad, tão logo lançado candidato a governador pelo presidente nacional de seu partido, Gilberto Kassab, já aparecendo liderando as intenções de votos? Segundo o mesmo assessor, primeiro tem que saber de onde apareceu o tal Instituto de Pesquisa, quais os veículos de comunicação (e a quem estão ligados) alardearam esses números e prestar a atenção na matemática da coisa: uma conta que não fecha, diz o dito cujo, para quem, por melhor que se saia em Campo Grande, numa hipotética candidatura, o prefeito da capital não conseguiria fazer frente ao poderio político do governador e seus mais de oitenta por cento de prefeitos e vereadores que apoiam a candidatura oficial.
A candidatura Riedel é inabalável, um rolo compressor como jamais se viu na história política do ainda jovem Mato Grosso do Sul.
Mais. O governador Reinaldo Azambuja não teria nenhuma dúvida da lealdade de Marquinhos Trad, a quem ajudou a se reeleger prefeito da capital. Valendo aqui o velho aforismo: mais vale um passarinho na mão (mais dois anos numa prefeitura “redondinha”) do que dois (quatro anos de um provável governo do estado) voando. O privilegiado interlocutor garante que numa sentada o governador “enquadra” não apenas Marquinhos Trad como a deputada Rose Modesto, que também anda pondo as mangas de fora. “A hora é de chulear, o arremate vem só com a virada do ano”, diz o informante, ainda usando a figura da velha bordadeira, dizendo que nessa hora de bastidor tudo é válido e compreensível. No juridiquês, o velho e bom jus esperneandi.
Como dizia o velho político mineiro Magalhães Pinto, mesmo sendo política como uma nuvem, “você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou”, o governador Reinaldo Azambuja parece não se assustar com as demandas dos, por ora, aliados. As da família Trad, um pouco mais complexas, pois significam não apenas não deixar o atual prefeito da capital no sereno daqui a dois anos, mas a reeleição, ano que vem, do irmão mais novo, Fábio Trad, deputado federal e retorno, também à Câmara Federal, do primo Luiz Henrique Mandetta. Claro que o irmão mais velho, Nelsinho Trad, senador com mais cinco anos, ainda, de mandato, não vai se contentar com apenas com um pirulito. Já a deputada Rose, fazendo jus ao nome, mais modesta, se contentaria e voltar, agora, ao lugar que já foi dela, na vice-governadoria, já que Murilo Zauith abandonou o barco, até que chegue a tão sonhada hora de substituir o próprio Marquinhos Trad na prefeitura da capital.
Quanto ao “parça” André Puccinelli a coisa é mais fácil do que o mais vulgar eleitor possa imaginar, já que há uma identidade de propósitos. Como bom pescador que é, tal qual Azambuja, o italiano não precisaria nem recorrer aos raizeiros em busca do famoso sebo de grilo para passar nas canelas, sua peculiar receita para ganhar eleição, contentando-se com um bom repelente para espantar os mosquitos nas barrancas dos rios. Quem sabe até – e por que não? – em tempos tão bicudos, no mesmo barco já encomendado por Azambuja para as pescarias do pós-governo. Do barco bolsonarista, só falta combinarem com titio Zeca do PT, com Lula & Cia., e, claro, com os eleitores.
