A primeira pergunta que boa parte dos eleitores do Mato Grosso do Sul – sim, porque para os do Brasil afora ela é uma grata novidade – está fazendo é até que ponto se deve levar a sério a candidatura à sucessão de Bolsonaro da senadora emedebista Simone Tebet; se todo o circo montado pelo velho “manda brasa” não é apenas para marcar presença, para manter um mínimo de representatividade daquela que nos bons tempos do Doutor Ulysses era a maior bancada no Congresso Nacional. Pois o blog responde, na lata: se a senadora Simone Tebet tiver um mínimo de respeito pela região da Grande Dourados e de consideração por seu primeiro-suplente, chamando Celso Dal Lago para ocupar sua cadeira nesse período de campanha que começa hoje, é porque a coisa é pra valer.
Quando convocado, em 2014, pelo então governador André Puccinelli para ser novamente candidato a primeiro-suplente de senador, aí de Simone Tebet, Celso Dal Lago me ligou na hora. Não que minha opinião tivesse algum peso na decisão em que relutava tomar, depois da lição que tivera como primeiro-suplente de Juvêncio da Fonseca, mas porque quando ele era presidente estadual Partido Progressista (o mesmo PP hoje do prefeito Alan Guedes), dirigi uma fala dele para um programa partidário na qual ele fez um desabafo que deu muito ibope: “chegou a hora de Dourados deixar de ser a terra dos vices (governadores) e dos suplentes (de senador).
Mas, afinal, por que tanta veemência? É que embora José Elias Moreira tenha feito bonito como candidato a governador na primeira eleição direta depois da criação do estado, só perdendo para Wilson Martins em Campo Grande, o que restaria para a terra de seu Marcelino dali para a frente seriam as vagas de vices e de suplentes. Primeiro George Takimoto, vice de Marcelo Miranda, Egon KKK vice de Zeca do PT, Braz Melo vice de Wilson Martins e Murilo Zauith, primeiro, vice de André Puccinelli, agora de Reinaldo Azambuja. O vereador Albino Mendes foi segundo-suplente de Rachid Saldanha Dérzi, Celso Dal Lago, primeiro de Juvêncio da Fonseca, agora de Simone Tebet: Gino Ferreira e Zonir Tetila segundos-suplentes, de Valdemir Moka e Delcídio do Amaral, respectivamente.
Além da questão da representatividade regional Dal Lago tinha fortes razões quando pediu para pautar seu discurso naquela linha. É que quando da proposta para ser primeiro-suplente de Juvêncio da Fonseca havia uma quase que convicção de que assumiria o Senado. Com o prestígio em alta, já no segundo mandato como prefeito de Campo Grande, André Puccinelli prometia eleger seu antecessor na prefeitura para o governo do estado. Como as coisas não saíram como o planejado, Puccinelli garantiu, na sequência, pelo menos dois anos de senado a Dal Lago, jurando na cruz fazer Juvêncio, seu antecessor, aí sucessor. Nem uma coisa nem outra.
A única questão que preocupa o produtor rural Celso Dal Lago nesse momento histórico, com dois nomes do estado – além de Simone Tebet, Luiz Henrique Mandetta – na lista dos presidenciáveis, é chegar ao famoso salão azul do Senado com um terno cheirando a naftalina, pois não arriscaria a comprar um novo. Pelo tanto que abusaram de sua boa vontade, sempre às vésperas de eleições, nem fazendo mais questão de assumir o tão prometido cargo, se é que Simone Tebet, que vai correr o Brasil atrás de votos (não tendo tempo para as atividades parlamentares) teria, em nome da ética, um lampejo, sequer, de sensibilidade política.
