De volta ao Jaguaribe depois de um período de quarentena, para tratar de assuntos particulares (empresário do setor de restaurantes e eventos), o vereador Laudir Munareto (MDB) demonstrou habilidade política para um retorno “por cima”, como presidente da Casa, cujas eleições sempre foram marcadas por fortes embates de bastidores, inclusive com rumores da presença da sempre famigerada “mala preta”. Ele garante que isso é coisa do passado, que ganhou a eleição à base do diálogo “olho no olho”, admite que a denúncia da “farra da publicidade” que sacudiu a cidade abalou sua administração “mais pela forma com que isso foi colocado e por não termos a experiência necessária para tratar desses assuntos na época”, diz que adotou uma série de providências para melhorar a imagem do legislativo e fala também de seu relacionamento com a administração de seu adversário político, o prefeito Alan Guedes. Veja a entrevista ao Contraponto MS.
Presidente, o senhor começou a vida como garçom, entrou na política, tirou um tempo para uma quarentena, agora, empresário já consolidado, volta para a Câmara. A política é um vício?
Eu acredito que a política não é um vício. O período em que fiquei fora do cenário político é porque precisava me dedicar à empresa da família porque meus filhos ainda eram muito novos para assumir esse compromisso. Já mais velhos, eles assumiram a empresa e eu voltei para a política como uma forma de retribuir todas as coisas boas que conquistei nessa cidade.
Seu retorno foi, digamos, “por cima”, já como presidente. Lição aprendida lá atrás ou ajuda de algum cacique?
Lições de vida. Eu acredito que nos momentos que você quer alguma coisa é necessário falar a verdade para as pessoas e foi isso que aconteceu. Tivemos uma grande renovação nas cadeiras do legislativo e eu falei a verdade, com o meu coração, sobre as mudanças que quero implantar dentro do legislativo. Não tenho e nunca tive nenhum tipo de cacique colocando diretrizes no meu caminho.
Nesse bastidor de eleição de presidente sempre houve muito burburinho de mala preta…
Isso nunca existiu nos meus mandatos. Para chegar até aqui apresentei um trabalho olho no olho e de compromisso.
Retorno tumultuado, diga-se, não por culpa sua, mas pela herança que recebeu. Não temos como não falar da denunciada farra da publicidade. Isso complicou muito este início de gestão?
Com certeza atrapalhou, ainda mais pela forma com que isso foi colocado e por não termos a experiência necessária para tratar desses assuntos na época. Tínhamos muitos projetos que queríamos colocar em prática logo no início do ano e não foi possível, mas buscamos o auxílio de uma assessoria contábil interna para fazer um rastreamento dentro do contrato para verificar se tinha algum tipo de irregularidade.
Como é ser presidente de um poder tão fiscalizado pelo ministério público, com um histórico recente que chega a ser devastador?
Ser presidente de um poder tão fiscalizado pelo ministério público é de muita responsabilidade e desafiador. O poder Legislativo deve ser fiscalizado e estamos fazendo o possível para que tudo seja o mais transparente possível dentro do nosso mandato.
Para muitos analistas, cientistas e historiadores a corrupção na política é uma causa perdida. Ou seja, joga-se o jogo ou não se vai longe. Concorda?
Não concordo porque eu não sou de jogar o jogo. Eu sou de conversar, de discutir e sempre foi assim, olhando no olho, falando com as pessoas. Eu não fujo de debates. Eu acredito que quando a gente se propõe a fazer a coisa certa, somos respeitados. Já apoiei algumas figuras políticas, mas isso não quer dizer que elas eram caciques e determinavam os meus atos.
De concreto, o que está sendo feito por sua gestão para tentar mudar esse estado de coisas?
Em suma, um mandato extremamente transparente e para isso estamos implantando diversas ações dentro da Casa de Leis, por exemplo, implantação do novo PCCR, um problema se arrastava há mais de 10 anos; Modernização da Casa com a contratação do novo sistema de processo legislativo, com o protocolo online de todas as proposições; Implantação das redes sociais da Câmara para facilitar o acesso do cidadão ao Legislativo; Implantação da TV Câmara Dourados; Implantação dos pregões eletrônicos a partir de 2022 para ampliar a transparência de todos os processos licitatórios da Casa; Projeto de reforma do prédio da Câmara de Dourados; Abertura da Casa como espaço de diálogo com todas as demandas e categorias; Projeto para regularização de imóveis de programas habitacionais populares, em parceria com o Executivo.
O precisa ser feito para acabar com essa imagem de que vereador só serve para trocar nome de rua e dar títulos de cidadania e afins?
É o que estamos colocando em prática aqui na Casa de Leis, trazendo todas as classes sociais para dentro do legislativo, propiciando debates sobre assuntos inerentes aos bairros, comunidades e tudo que possa interferir em suas vidas, mostrando que o vereador pode fazer muito mais do que apenas nomear ruas. Somente neste ano recebemos mais de 40 entidades na Câmara Municipal.
Concorda, por exemplo, com a regra de que todo general-comandante da Brigada Guaicurus tem que, necessariamente, receber o título de cidadão douradense?
Não.
Um presidente da Câmara adversário do prefeito. Isso prejudica a relação institucional com a prefeitura?
Os poderes são independentes e eu trato tudo institucionalmente. A forma de conduzir tem que ser de maneira que cada um faça o seu trabalho. O legislativo está aqui para fiscalizar, legislar, para trabalhar no sentido de levar opções de mudanças ao executivo. O principal interesse deve ser sempre a melhoria para a população, de ambas as partes.
