19/05/2013 – 20h05
O senador Delcídio do Amaral fez o maior carnaval nas mídias sociais com o convite de Dilma Rousseff para acompanhá-la a bordo do aeroLula em sua primeira visita oficial ao Mato Grosso do Sul. Muito ao contrário do que o senador petista poderia imaginar, porém, não se tratava de nenhuma deferência, mas da oportunidade ideal vislumbrada pela presidente para começar a mexer num vespeiro: como é para o bem de todos os petistas brasileiros e felicidade geral dos aliados, também em nível nacional, ele talvez precise abrir mão de sua candidatura ao governo do Estado para continuar – como senador – com seus préstimos ao governo na condição de interlocutor junto ao empresariado nacional, dada a facilidade do trânsito que tem junto aos tubarões da economia.
Tirocínio puro e simples da ex-guerrilheira brizolista que virou presidente petista? Nananinanão. O pano de fundo é uma intrincada estratégia de desestabilização da candidatura de Eduardo Campos à presidência da República, mas, no fundo, no fundo, cheirando a coisa do chefe Lula, ainda ressentido com o petista corumbaense por ter jogado para a platéia durante a CPI dos Correios e complicado uma barbaridade a vida da companheirada com essa história de mensalão.
Pelo plano reeleitoral de Dilma Rousseff, urdido com Michel Temer e os irmãos Ciro e Cid Gomes (governador do Ceará), companheiros de partido do governador pernambucano, para tirá-lo da jogada e evitar o risco de um segundo turno em 2014 o PMDB, partido do vice-presidente da República, seria “contemplado” com a retirada de potenciais candidaturas petistas em três Estados, um deles o Mato Grosso do Sul, com o que seria fortalecida a aliança nacional com o partido do doutor Ulysses Guimarães.
A fonte do Blog é mais quente que as erupções que acabam de causar as espetaculares explosões no mesmo sol que alumia a logomarca peemedebista. Pelo menos este era o plano, até que outra erupção – a das vaias dos fazendeiros do Estado – colocou Dilma Rousseff numa baita saia justa e, segundo a mesma fonte, pra lá de desconfiada de que todo o vexame ao qual foi submetida na capital morena poderia ter o dedo de alguma eminência peemedebista estadual.
Coincidência ou não, depois das não menos avassaladoras explosões na saúde pública de Campo Grande, que parecem atingir em cheio o ex-prefeito e até então provável candidato peemedebista ao governo Nelsinho Trad, o governador André Puccinelli escalou sua vice, Simone Tebet, para descascar o abacaxi da greve da polícia civil. Se vai resolver o problema são outros quinhentos, mas ela deu o recado direitinho, em horário nobre de TV, ao lado do secretário de Segurança Pública, Vantuir Jacini.
Obra do destino ou maquiavelismo, numa dessas, com Nelsinho Trad prejudicado e Simone Tebet cada vez mais obstinada em seguir a trilha de papai Ramez (deputado, prefeito de Três Lagoas, governador e só depois senador da República), seria o caso de André Puccinelli repensar aquela história de cuidar de netos, fazendo o sacrifício de para ela segurar a tão cobiçada cadeira do salão azul do Congresso, até que chegue a hora de destronar Alcides Bernal, já que Delcídio do Amaral, além de não concorrer ao governo também tem a sua azulzinha garantida por mais quatro anos.
Falando em maquiavelismo, numa dessas, também, as coisas voltam a clarear para o amigo do peito e companheiro de biritas de Luiz Ignácio, o companheiro Zeca do PT. Até porque Lula deve andar acabrunhado com o desperdício que é esse negócio do governador que segurou as pontas na hora em que ele mais precisava ficar agora perdendo tempo com picuinhas de vereador.
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