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As crianças mimadas de André Puccinelli

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07/08/2013 – 10h04

Responda rápido, leitor – ou eleitor – amigo. O quê é melhor para o futuro do Mato Grosso do Sul, neste momento em que o Brasil está de pernas pro ar por causa da corrupção: um governador acusado de envolvimento em diversas falcatruas, como a famigerada operação Uragano e o mensalão mineiro ou um governador cujo maior crime, sabe-se agora, é ser ou parecer uma criança mimada? Esta a questão colocada pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jerson Domingos, ao anunciar seu apoio à candidatura do petista Delcídio do Amaral Gomes, em detrimento do companheiro de partido, o ex-prefeito de Campo Grande Nelsinho Trad.

Que bom! O deputado Jerson Domingos pode ter atirado no que viu e acertado no que não viu. Neste caso, perdendo uma grande oportunidade de ficar de bico calado. Senão pela falta de ética partidária, pela saia justa em que vive, neste exato momento, o poder por ele presidido, por conta do tal compadrio com o Tribunal de Justiça e, como consequência, ainda, das desastradas declarações do ex-deputado Ary Rigo, cada vez mais na alça de mira do Conselho Nacional de Justiça. Pode demorar um pouquinho, mas agora que o povo descobriu que com esse tipo político é só na base da porrada, uma hora a casa cai. Ah, cai. E aí não tem Delcídio, Lula ou fada madrinha que dê jeito.

Mas, afinal de contas, que motivos teria um peemedebista do naipe de Jerson Domingos para cuspir no prato que comeu esses anos todos? Alguma questão de Estado? Ou estaria a serviço de algum outro cardeal do partido também enlevado pelas madeixas grisalhas do senador que trocou as águas pantaneiras pelas paradisíacas praias de Floripa, abrindo caminho para evitar maiores constrangimentos lá na frente? Que nada! Tão forte e tão temido por suas atividades extraparlamentares, Jerson Domingos torna pública sua pusilanimidade política ao declarar apoio a Delcídio pelo simples fato de seu cunhado, Pedro Chaves, ser primeiro suplente do petista. Ou seja, que se danem as convenções partidárias, o importante é a família ainda mais poderosa.

Menos mal que do outro lado desta jogatina entre parentes esteja não apenas uma “criança mimada”, como declarou Jerson Domingos, ontem, para se referir a Nelsinho Trad, mas duas, já que para enfrentar o candidato petista o PMDB conta também com Simone Tebet. Se a “acusação” ao ex-prefeito da capital é pelo berço, o mesmo em que o renomado jurista e deputado Nelson Trad acalentou os sonhos de outras duas crianças mimadas – os deputados Marquinhos e Fábio Trad – que também destoariam desse tipo de mediocridade política, certamente que vindo ser Simone Tebet a ungida como candidata à cadeira que um dia foi do pai, Ramez Tebet, teria do presidente da Assembleia e alguns de seus compadres o mesmo tipo de “deferência”. Pelo jeito, o incômodo de Jerson Domingos nem é o fato de serem crianças mimadas, mas por quem foram mimadas. E a frustração, lógico, por essas crianças, além de mimadas, birrentas, preferirem o colinho amigo de André Puccinelli ao seu ombro traiçoeiro.

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Nelsinho e Simone, no gabinete que pretendem herdar, de André - foto: divulgação

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