16/10/2013 – 17h05
Para quem está frustrado com o retorno, ops!, da pasmaceira política após a ameaça, apenas, de ebulição do caldeirão sucessório em consequência do troca-troca partidário, uma notícia nada alvissareira: nesses tempos de tantos e lucrativos retornos, ops! de novo (que saco!), em que o idealismo dá lugar ao pragmatismo (na verdade business, na língua de tio Sam), novidades, mesmo, como tanto se anseia, só no começo de abril. Mais precisamente, dia 8, prazo fatal de desincompatibilização para ocupantes de cargos executivos que pretendam disputar as eleições de outubro, como, por exemplo, o governador André Puccinelli e o prefeito Murilo Zauith. Só então os netinhos do governador terão certeza da tão prometida dedicação por tempo integral e o vice-prefeito de Dourados, Odilon Azambuja, se pode ou não confirmar com o alfaiate Meireles o terno para posse em definitivo.
Até lá, haja paciência. E, certamente, tudo o que rolar será por conta de outra palavrinha pra lá de chata: dissimulação. Político matreiro, André Puccinelli fala o que o interlocutor quer ouvir. Mas, sabe Deus suas intenções. Semana passada, por exemplo, era só festa, entre peemedebistas, pela “confirmação” da tantas vezes negada candidatura ao senado. O mais eufórico, entre os deputados estaduais, o maridão de Simone Tebet, Eduardo Rocha, pela efetivação da esposa, tal qual o pai, Ramez, por nove meses, no governo do Estado, para, só lá na frente, também como o pai, tentar subir a rampa do Congresso como senadora da República. Hoje, ao jornalista Antônio João Hugo Rodrigues, do Correio do Estado, André voltou a embolar o jogo. Falou que ainda não é candidato ao Senado, nem pretende ser; mas, se for necessário, poderá pensar.
Não é diferente o jogo do governador com o prefeito que é hoje a pedrinha em seu sapato e que também fala em ser senador. Do alto de sua condição de chefe do executivo estadual, Puccinelli até teria, recentemente, passado uma carraspana em Zauith, refrescando a memória de seu ex-vice-governador para os episódios pós uragânicos que culminaram com sua eleição e, depois, reeleição para a prefeitura de Dourados. Em resposta, o que ouviu, ou melhor, o que viu, foi a repetição do frio e já antológico gesto do marido de dona Cecília com as pontas dos dedos batendo umas nas outras, olhar nas nuvens, como que a dizer, num discreto assobio: minha hora de dar o troco (pela derrota ao Senado) está chegando.
Embromação à parte, Murilo Zauith joga pacientemente suas cartas com Reinaldo Azambuja apostando na desgraça de Nelsinho Trad, de quem espera apoio para a consolidação de uma terceira via. E aí tanto faz, um ou outro, para disputar o governo ou o senado, já que com Delcídio do Amaral, se possibilidades existiram de qualquer composição, mesmo que “branca”, foram por água abaixo depois da tacada de mestre de seu presidenciável Eduardo Campos, ao cooptar a nortista sem rede Marina Silva. Ciente de que 2014 é o ano de colher os frutos da “fazeção” que começou há dois anos e que 2015 e 2016 são anos de pagar a fatura disso tudo, o prefeito douradense não tem dúvidas de que é agora ou nunca, a hora de correr para o abraço.
Enquanto Zauith tenteia, Puccinelli regateia. Como boa parte dos recursos do PAC II, principalmente os destinados asfalto e saúde, podem ser distribuídos ao seu bel prazer, tenta atrair o máximo de prefeitos para seu projeto político. Claro que, além de estadista, por sua condição de lindeiro, o ainda fátima-sulense André não vai deixar Dourados à míngua, até porque precisará dos votos dos douradenses para a eleição do senado. Dele ou de sua vice, Simone Tebet. Como, além de matreiro, o governador é um sortudo, nenhum problema se Zauith encrencar, já que, neste caso, quem estaria pilotando a prefeitura da segunda maior cidade do Estado, seria, aí, sim, um aliado de primeira hora, o peemedebista Odilon Azambuja. Neste caso, e com o Bernal cassado, quem sabe os netos não podem esperar?
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