19/10/2015 – 08h18
Onde já se viu, um X-9 de meia-tigela como Fernando Baiano acusar tão ilibadas personalidades da República como Luiz Ignácio Lula da Silva, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Jader Barbalho e, agora, o líder do (des)governo “de vento” de Dilma Rousseff no Senado, Delcídio do Amaral, de envolvimento com o petrolão – o maior escândalo de corrupção da história!? Menos mal, para que o Mato Grosso do Sul não tenha sua história mais uma vez manchada, que aí está, mais firme e mais forte que nunca, o pau-mandado de André Puccinelli, deputado Carlos Marun, para, como fez com Eduardo Cunha na semana passada, sair em defesa também do senador petista.
Onde já se viu, também, a maior rede de televisão do país (Globo) e a revista de maior circulação nacional (Veja) dedicarem generosos espaços em seus noticiários para repercutir a acusação ao senador Delcídio do Amaral como integrante da quadrilha que ameaça quebrar o Brasil? Isso é um absurdo! Não, não é o ex-vereador Eduardo Marcondes ressuscitando seu famoso bordão para engrossar a fila dos indignados com tanta bandalheira. É o próprio Delcídio que, ao manifestar sua “revolta” com tanta injustiça, acha tudo isso um “absurdo”. E, agora, mais poderoso que nunca, muito mais pelos milhões da Petrobrás que Baiano garante ter ido para sua conta bancária do que pela condição de líder do apodrecido governo petista, ameaçando, como de praxe, aqueles que insistem em macular sua honra.
Absurdo, na verdade, é o caradurismo do senador. Tal qual o chefe da quadrilha, Lula da Silva, vir a público dizer que não sabe de nada. Tal qual Eduardo Cunha, o homem dos 5 milhões de dólares roubados da Petrobrás e depositados na Suíça, querer tapar o sol com a peneira, tentando desqualificar a delação premiada de Fernando Baiano. Será que não basta ter como companheiros de lista como denunciados na roubalheira tão manjadas raposas da República, como Renan Calheiros e Jader Barbalho, ambos obrigados a deixar a presidência do Senado por escândalos anteriores, com as imagens ainda vivas na memória dos brasileiros do gangster paraense Barbalho descendo algemado de um jatinho da Polícia Federal em Brasília?
Mais absurdo ainda é o argumento de Delcídio, como bom pantaneiro, tentando salvar a própria pele, ao dizer que Fernando Baiano sequer deu números exatos da roubalheira. Deu sim. Na primeira negociata, foram 6 milhões de reais, para dividir com Renan e Barbalho. Trama urdida em 2006 para ajudar nas despesas da primeira eleição por ele perdida para o governo do Mato Grosso do Sul. Depois a quadrilha arrecadou 15 milhões de dólares em propina do estaleiro sul-coreano Samsung Heavy Industries. Em seu depoimento, segundo a revista Veja, Fernando Baiano conta que dias depois de fechar o negócio seu parceiro Nestor Cerveró fora convocado para uma reunião em Brasília, ocasião em que foi pressionado por Delcídio (seu padrinho na nomeação para a roubalheira na Petrobrás) e pelo Ministro das Minhas e Energia, Silas Rondeau, para liberar a grana para a campanha eleitoral. Segundo o delator, inicialmente foram 4 milhões de dólares de propina para Delcídio do Amaral dividir com Renan Calheiros e Jader Barbalho. Depois, o valor subiu para 6 milhões de dólares (23 milhões de reais). Mais exatidão que isso? A menos que o senador esteja querendo saber quanto está sendo destinado, agora, ao peemedebista Carlos Marun, o encarregado da defesa da quadrilha no plenário e nas comissões do Congresso Nacional.
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