22/10/2015 – 15h33
Não acreditei, quando vi a foto no blog de Marco Eusébio. Se fosse só o deputado Carlos Marun, vá lá. Ele já havia conseguido seus cinco minutos de fama semana passada, como o único parlamentar brasileiro a ter coragem de fazer a defesa do indefensável presidente Eduardo Cunha. Mas, Geraldo Resende, também? Não! Só pode ser algum equivoco do confrade campo-grandense. Afinal são vários deputados cercando o maior cara de pau (depois, claro, do hors concours de Lula da Silva) da política nacional, diante de uma galeria de ex-líderes da Casa. E olha só como o destino é caprichoso – ex-líderes. Não significa, necessariamente, uma homenagem. Mas, infelizmente, era. Fui checar no perfil do próprio Carlos Marun no Facebook e estava tudo lá.
As razões que levaram o novato Carlos Marun a ter esse tipo de arroubo não são tão difíceis de compreender. E nada a ver com qualquer tipo de “gauchada” como as que a gente cresceu ouvindo serem pejorativamente atribuídas a alguém que não fosse oriundo dos pampas por algum grande feito. O puxa-saquismo exacerbado, que deixou assustado e constrangido o próprio Cunha, quando viu aquele brutamontes (já foi até confundido com seguranças do Congresso, e melhor que o fosse, apenas) ao microfone de aparte em sua defesa, só pode ser ordem do patrão André Puccinelli, por razões mais que óbvias, num momento de tantas derrapagens de sua “Ferrari” (o famoso uninho vermelho) na lama asfáltica. Não é, afinal, o presidente Eduardo que está pondo uma cunha no processo de impeachment da presidente aliada peemedebista? Vai que a mulher consegue se equilibrar e André emplaque o retorno, ops!, de outro preposto ilustre, Edson Girotto, lá na cúpula do tão cobiçado Ministério dos Transportes!
Mas nada explica a presença de Geraldo Resende em tão inusitado evento. Ele que sempre insistiu em contrariar velha máxima do bom mineiro segundo a qual política é a arte de ciscar pra dentro, e que até estava indo bem na administração da massa falida do PMDB douradense depois da debandada de Marçal Filho e Délia Razuk. O mesmo Geraldo cujas feridas uragânicas não foram ainda cicatrizadas e que ainda corre o risco de ser denunciado no Supremo Tribunal Federal, certamente deverá ter aumentadas as dificuldades caso consiga se viabilizar como candidato à sucessão de Murilo Zauith. Não satisfeito com tanta titica, promete trazer a cúpula da lama asfáltica – André Puccinelli à frente – para a cerimônia de sua posse como presidente do Diretório do PMDB. E quanta falta de sensibilidade política! Em vez de uma reunião num bairro populoso como o Jardim Água, promovendo uma festança para poucos e bons no tatersal onde só pisa a elite da fazendeirama endinheirada para os grandes leilões agropecuários.
Ainda bem que com o advento das redes sociais e com a carcomida imprensa subordinada (antigamente identificada pela cor, marrom) dando sinais de fadiga, essa cambada que vem dando o maior baile na grande ratoeira da República pode até ganhar algum tempo, mas certamente terá dificuldades, e nem vamos dizer, para conseguir votos para seus retornos, mas, de sair às ruas para o famoso tête-à-tête (dois dedinhos de prosa) com o eleitor. Eleitor como Ricardo Signoretti, para quem o deputado Geraldo Resende “não se cansa de esbofetear a nossa cara, é uma atrás da outra”, para citar, repercutindo a publicação da famigerada foto no Face, as derrapadas do douradense, como o apoio às pedaladas da presidente Dilma Rousseff, o uso de cota para entrar na faculdade e o apoio à CPMF. “Esse cidadão perdeu a vergonha na cara faz tempo!” desabafa o leitor-eleitor.
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