12/11/2015 – 09h14
O entra-e-sai da prisão do presidente estadual do PR Edson Giroto embaralha ainda mais o cada vez mais imprevisível jogo da sucessão do prefeito Murilo Zauith. E por uma razão muito simples, já que é ele o maior especialista em fazer render o milionário negócio de lama asfáltica, de onde sai – ou saía, até agora – a grana para bancar as sempre tão onerosas estruturas de campanhas eleitorais. Não que os candidatos atrelados à quadrilha contem com estes recursos, até porque já arrombaram o cofre da fortaleza do empreiteiro João Amorim, mas pelo tamanho da encrenca à vista, principalmente pela expectativa dos respingos disso tudo no capo André Puccinelli.
Os três mais recentes eventos com vistas ao pleito de outubro do ano que vem dão a exata medida deste raciocínio. Primeiro, a arregimentação da vereadora Délia Razuk com a desfiliação em massa de seus seguidores do PMDB, para que, logo ali na frente, eles abram o caminho para sua filiação ao PR, partido pelo qual ela pretende disputar a cadeira que passou a Zauith no pós Uragano. E quem estava lá, todo pomposo, ao lado de Londres Machado, presidindo os trabalhos, na Câmara Municipal? O agora presidiário Edson Giroto!
Alguns dias depois, em dois encontros paralelos, numa coincidência pra lá de sintomática, com a desculpa de receber novos filiados, o federal peemedebista Geraldo Resende e o estadual socialista José Carlos Barbosa também fizeram suas “convenções”. Resende com uma grande churrascada no Parque de Exposições que chamou a atenção pela grande presença de lideranças de toda a região, mas com poucos convidados douradenses, que são os que podem influenciar caso ele seja, realmente, candidato. Barbosinha com expressivo número de convidados, mas descontando-se o fato de a maioria ter sido arregimentada por Waltinho Carneiro entre os barnabés da prefeitura. E quem era o ilustre convidado de ambos? Ele, André Puccinelli, patrão de Edson Giroto!
Com Geraldo Resende, Délia Razuk e José Carlos Barbosa tendo de explicar ao eleitor seus vínculos com quadrilheiros tão poderosos, será que, pelo retorno, ops!, ao ninho tucano voltaria a “tara” de Marçal Filho por esse negócio de ser prefeito? Não se esquecendo, a propósito de tantas bandalheiras, que tanto Marçal Filho como Geraldo Resende (agora, por razões mais que óbvias, sonhando com o apoio do governador Reinaldo Azambuja), ainda têm pendências uragânicas. Como João Grandão voltou a ter pesadelos com ambulâncias cheias de sanguessugas e Zé Teixeira, embora arrotando mais poder até que Reinaldo Azambuja, também tendo que explicar suas ligações com outra quadrilha, a da Campina Verde, sobrou o petista Laerte Tetila. Bem lembrado nas pesquisas e com todo seu time operando na base da administração Zauith, pode ser a alternativa petista de retorno. Ah, o ás de ouro? Há quem garanta que a carta na manga de André Puccinelli seja o deputado de Ivinhema Renato Câmara. Talvez por isso, Murilo Zauith dê corda a Wanderley Carneiro e Domingos Venturini, dois de seus mais chegados assessores, que sonham com a cadeira do chefe. E até os ditos jurássicos da política, tão assanhados, no legítimo direito de sonhar.
←TEXTO ANTERIOR ou PÁGINA INICIAL→

