23/11/2015 – 10h48
De repente, eis o todo-poderoso demo Zé Teixeira defendendo com unhas e dentes a candidatura a prefeito do peemedebista secretário de saúde Sebastião Nogueira, grande empreendedor na medicina, bambambã da Maçonaria, mas na política, além de herdeiro do espólio do coronelismo de Juca de Matos apenas vice-prefeito de Braz Melo e deputado suplente por dois anos. Mas, peraí. Não foi o mesmo Zé Teixeira quem abriu a gaiola do PSB de Murilo Zauith para soltar a pombinha branca anunciando a candidatura do seu novato companheiro de plenário na Assembleia Legislativa, o Zé Carlinhos, lá de Angélica?
Que se dane o tal do povão. Seu Zé do Boi não se prestaria ao papel de arauto não fossem os grandes interesses financeiros por trás de toda essa história. Pra começo de conversa, mesmo mandando, como alardeia, no governo Azambuja, ele deve andar meio atordoado das ideias ante a possibilidade de vir a perder a teta do regime especial concedido pelo estado para que seus parceiros da Campina Verde (os irmãos Aurélio e Fernando Rocha) restabeleçam o retorno, ops!, do monopólio dos áureos tempos de Zeca do PT na comercialização de grãos no Estado.
Pelo jeito como as coisas começam a acontecer nos bastidores – até com a promessa da famosa mala preta – todo esforço tentando formar convicção de que o exemplar trabalho na área de saúde do município com a maior “ambulanciaterapia” do estado credencia Sebastião Nogueira à sucessão do chefe Zauith nada mais é do que uma tentativa de passar a rasteira em Geraldo Resende na convenção peemedebista. Daí, apegando-se ao sentido original do termo, atribuído aos saudosistas monarquistas que punham fé no retorno de D. Sebastião após seu desaparecimento nas savanas africanas, não tendo como não entender o repentino sebastianismo de Zé Teixeira, conforme mestre Aurélio, como a pessoa que, partidária ardorosa de uma situação política, espera vê-la retornar, quando isso, ao menos aparentemente, é impossível. Este é o sentido da candidatura de Sebastião (primo de outro Nogueira, o Antônio, que ajudou Braz Melo a encerrar o ciclo de poder peemedebista em Dourados) como forma de alavancar a candidatura chapa-branca de Barbosinha.
Claro que todo esse maquiavelismo no melhor estilo Leite Schmidt e Londres Machado não é coisa da cabeça de quem só pensa em comprar e encher de bois fazendas e mais fazendas a cada governo aliado que entra. Mas certamente de quem aprendeu bem a lição com os aposentados caciques da política estadual. São as tais forças (não tão) ocultas que já mandaram avisar que não interessa um prefeito com o perfil de Geraldo Resende, muito menos de Délia Razuk. Não por acaso tudo isso acontece no momento em que ambos lideram as pesquisas eleitorais. Com a incógnita da apostasia de Délia, a mais votada no município nas últimas eleições para a Assembleia, é preciso matar Geraldo Resende no ninho peemedebista. O quanto antes possível.
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