28/11/2015 – 10h42
Que sirva de consolo ao – por enquanto – mais ilustre presidiário da República, ex-líder do governo (só não ex-senador, já, porque este é o único cargo cujo título é considerado vitalício) Delcídio do Amaral Gomez: uma frente fria está se aproximando de Santa Catarina neste final de semana. De qualquer forma, ele perderia a brisa gostosa e o sol de Jurererê, em sua Floripa. De resto, é torcer para que passe logo o faniquito que teve ao descobrir que havia sido solto ladeira abaixo pela “cumpanheirada” e refletir na salinha de nove metros quadrados, sem banheiro, da carceragem da Polícia Federal onde está preso desde a última quarta-feira em Brasília, para aquela que certamente será a decisão mais importante, senão de sua vida, de sua trajetória política – delatar, e derrubar a famigerada república petista, escrevendo seu nome em letras garrafais no panteão da história ou, simplesmente, mofar na cadeia.
Frente fria por lá, chuvinha mansa por aqui. Bom para reflexões também, principalmente a respeito da tentativa de rasteira de peemedebistas da ala murilista na candidatura do deputado Geraldo Resende (assunto do próximo post), até que venha o Fantástico deste domingo, claro, para se saber quem são os pedófilos da vez entre a politicalha, mas encafifado, como todo mundo, pela fiasqueira do sempre fidalgo Delcídio do Amaral e com a triste sina de Mato Grosso do Sul com suas maiores promessas políticas, sobre o que também vou escrever no decorrer da semana.
Cá pra nós. Já imaginaram um sujeito tão refinado, que gosta de esnobar seu requintado gosto musical (salve Jorge!) e literário (Onde está Wally, senador?) nas redes sociais passar um fim de semana, que seja, trancafiado numa carceragem da PF? Uma amiga manifestou uma grande preocupação, que, agora aqui divulgada, passa a ser de todos os brasileiros – a de que Delcídio do Amaral acabe com tudo isso à la Getúlio Vargas. Não. Não é pelo vexame de ter sido filmado com seus cabelos desgrenhados dentro de um camburão, muito menos pelos escândalos em que está metido, mas pela falta de Whisky. Se o chefe Lula é chegado no mítico Romanée-Conti de R$ 10 mil a garrafa, que se inclua no cardápio da carceragem PF, como aperitivo ao ilustre presidiário, antes da quentinha, pelo menos um Ballantine’s 20 anos. Ficaria barato para o Brasil, embora ninguém me tire da cabeça que o maior drama de Delcídio neste momento é não poder acessar seu Facebook.
Pegando carona na abrangente tradução de Humberto Eco para a palavra alemã Schadenfreude, a alegria advinda da satisfação pessoal com a infelicidade alheia, segundo ele um sentimento que o jornalista deve respeitar e alimentar, caindo de novo nas redes sociais, para, pasmos, constatar a “solidariedade” de alguns mui amigos. Uns, até parecendo sinceros, preocupados com a família do senador; outros, aproveitadores que sempre compartilharam seu lado bon vivant, ou, pior, demagogos como Zeca do PT, que nunca escondeu querer ver o oco de Delcídio e agora vem querendo tapar o sol com a peneira. Muito mais que a esposa e as filhas do Senador, quem precisa de solidariedade, de verdade, são os milhares de famílias afetadas com o rombo dos cofres públicos pela roubalheira patrocinada por Lula, sua preposta Dilma, Delcídio e companheiros afins. #Delata, Delcídio! E entre para a história ou mofe na cadeia.
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