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O dilema de Lula diante da ameaça Delcídio

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28/11/2015 – 16h17

Em relação a José Dirceu e a Bumlai, o senador advertiu o ex-presidente de que é perigoso deixar feridos pelo caminho

“Presidente, é perigoso deixar os feridos pelo caminho.”

Nos últimos meses, o senador Delcídio Amaral repetiu o conselho ao ex-presidente Lula em várias ocasiões. Uma delas, depois de uma visita no primeiro semestre ao ex-ministro José Dirceu, um pote de mágoas contra Lula e a presidente Dilma Rousseff, que lhe teriam virado as costas.

Há cerca de um mês, quando se tornou público o depoimento em que o lobista Fernando Baiano envolveu em negociatas, para saldar dívidas de campanha petistas, o pecuarista José Carlos Bumlai — amigo de Lula e uma espécie de tutor de seus filhos na vida empresarial –, o entorno do ex-presidente espalhou que ele estava se sentindo traído. Encarregado pelo próprio Lula de monitorar Bumlai, Delcídio pediu a Lula para desmentir a informação. Foi atendido.

Na quinta-feira (26), Lula aproveitou uma conversa com sindicalistas para criticar a “burrice” e a “imbecilidade” de Delcídio, que falou o que não podia em conversa gravada que justificou sua prisão pelo Supremo Tribunal Federal.

Mesmo na cadeia, Delcídio soube das avaliações de Lula, não gostou. E Lula não gostou de saber que Delcídio não gostou. O Instituto Lula desmentiu as críticas.

Há meses, Lula e Delcídio trocam figurinhas, atuam em parceria e montam estratégias para escapar do cerco da Operação Lava-Jato. Lula sabe que Delcídio tem muito a contar em uma eventual delação premiada.

Andrei Meireles

Delcídio e Lula, sob as vistas dos também investigados Renal Calheiros e Edison Lobão

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