10/12/2015 – 12h50
Depois de uma sorumbática e nada auspiciosa especulação a respeito de orçamento de serviços crematórios (toc! toc! toc!) a conversa com o meu infundíbulo cronossinclástico guru César Lutti desagua, obrigatoriamente, no mensalão. Ops, no petrolão! Lutti foi uma das lideranças tucanas por mim apresentadas a Delcídio do Amaral no dia em que o hoje presidiário senador petista descobriu Dourados no mapa do Brasil, ali fincando o primeiro alfinete marcando o início de sua trajetória política mirando no governo do Estado, já que dizia possuir credenciais até para suceder Pedro Pedrossian no panteão da historia.
Conversa vai, conversa vem, com o sempre controvertido arquiteto (depois de um acidente de moto com a coluna quase tão curva quanto a do o não menos polêmico colega de ninho tucano Alaércio Abraão), e conclusão de que estivemos muito próximo do que pode ter sido a gênese de toda a bandalheira que mergulharia o Brasil no maior mar de lama da história. É que o desembarque de Delcidio em Dourados, em meados de 1997, coincide com o início da farra (pelo menos as denunciadas) das propinas na Petrobras, segundo depoimento de Pedro Barusco, um dos primeiros delatores do esquema. Veja bem, propinas envolvendo empresas da Holanda, país onde Delcídio estivera a serviço da Shell. Lembrando que sua primeira passagem pelo governo foi em 1994, no Ministério das Minas e Energia, que chegou a assumir interinamente, durante o governo Itamar Franco, depois com FHC, na diretoria de gás da Petrobrás, onde se esbaldaria com seu preposto Nestor Cerveró, com Paulo Roberto Costa (o Paulinho de Lula) e outros.
E aqui, valendo a pena abrir um parêntesis para uma conversa, não faz muito tempo, com um dos mais íntimos colaboradores de Zeca do PT. Quando Delcídio começou por as asinhas de fora, o lamento dos zequistas era pelo fato de o homem de Murtinho não ter feito o homem de Miranda senador, em lugar do pantaneiro de Corumbá. Até porque, aí o dito-cujo fazendo um necessário mea-culpa, se Zeca do PT chegou aonde chegou foi pelo providencial apoio de Pedrossian naquele segundo turno de tão triste memória, contra Ricardo Bacha, em 1998.
Daí para outra conversa, agora com um dos porta-vozes de André Puccinelli, na qual fui advertido de que precisaria mudar o foco das denúncias contra Delcídio do Amaral aqui no blog. Certamente que bem abastecido pelas informações de cocheira do chefe peemedebista, já ali flertando com o petista, o assessor palaciano ponderando que Pasadena era apenas um detalhe no tão decantado currículo do senador petista e que a caixa de marimbondos estava mesmo era nas termelétricas por ele contratadas durante sua passagem pela Petrobrás, no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. Hoje, a confirmação, não só de tudo o que escrevi a respeito de Pasadena, com as bombásticas revelações de Nestor Cerveró, mas do rombo, realmente maior, nas tais termelétricas tucanas, como havia antecipado o assessor de Puccinelli. E agora, dando para entender porque Delcídio do Amaral não chiava com os míseros cinco por cento de retornos da douradense Uragano. Por tudo que se sabe – e que se soma (ver texto de hoje aqui no blog) – dinheirinho de pinga, ou para gorjetas nos hotéis cinco estrelas que sempre gostou de frequentar mundo afora.
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