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Interrogatório de Lula por Moro termina após cinco horas

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10/05/2017 – 18h48

Oitiva começou às 13h17, na sede da Justiça Federal de Curitiba (PR); o petista é acusado de ter recebido R$ 3,7 milhões de propinas da empreiteira OAS no caso do tríplex do Guarujá

O interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tomado pelo juiz federal Sérgio Moro, terminou por volta das 18h desta quarta-feira (10/5), após quase cinco horas. A oitiva começou às 13h17, na sede da Justiça Federal de Curitiba (PR). O petista é acusado de ter recebido R$ 3,7 milhões de propinas da empreiteira OAS no caso do tríplex do Guarujá, em São Paulo. Foi a primeira vez que Lula ficoufrente a frente com o juiz responsável pelos casos em primeira instância da Operação Lava-Jato.

Moro foi o primeiro a fazer perguntas a Lula, a partir de 14h20, aproximadamente. Durante as quase 3h20, houve um intervalo de cerca de 10 minutos em que as partes puderam se servir de água e café. Após o juiz da Lava-Jato, foi a vez de o Ministério Público Federal dar início a seus questionamentos, já por volta das 17h40. Depois da Procuradoria da República, os advogados das partes poderão fazer questionamentos. E ao final da audiência, o juiz da Lava-Jato pode voltar a fazer perguntas ao réu.

O depoimento ocorreu sob forte esquema de segurança na área externa do prédio. Cerca de 3 mil profissionais de segurança pública das esferas federal, estadual e municipal foram mobilizados. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, desse total, cerca de 1,7 mil são policiais militares que atuam em Curitiba.

Durante todo o dia, centenas de policiais militares fizeram um bloqueio em um perímetro de 150 metros ao redor prédio da Justiça Federal. Agentes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal cuidaram do isolamento do próprio prédio. Os profissionais também acompanharam os atos a favor e contrários a Lula e fizeram a escolta do carro do ex-presidente.

O ex-presidente é réu na Justiça do Paraná por susposto recebimento de vantagem no valor de R$ 2,4 milhões da empreiteira OAS, envolvendo o tríplex no Guarujá. Além disso, é acusado de receber R$ 12 milhões da Odebrecht por meio da compra de um novo terreno para o Instituto Lula. Também responde a acusações por obstrução da Justiça e tráfico de influência.

Tríplex

O Edifício Solaris era da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a cooperativa fundada nos anos 1990 por um núcleo do PT. Em dificuldade financeira, a Bancoop repassou para a OAS empreendimentos inacabados, o que provocou a revolta de milhares de cooperados. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi presidente da Bancoop.

A ex-primeira-dama Marisa Letícia (morta em 2017) assinou Termo de Adesão e Compromisso de Participação com a Bancoop e adquiriu “uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico”, atual Solaris, em abril de 2005.

Em 2009, a Bancoop repassou o empreendimento à OAS e deu duas opções aos cooperados: solicitar a devolução dos recursos financeiros integralizados no empreendimento ou adquirir uma unidade da OAS, por um valor pré-estabelecido, utilizando, como parte do pagamento, o valor já pago à Cooperativa.

Segundo a defesa de Lula, a ex-primeira-dama não exerceu a opção de compra após a OAS assumir o imóvel. Em 2015, Marisa Letícia pediu a restituição dos valores colocados no empreendimento.

Bens

A Lava-Jato afirma que a OAS pagou durante cinco anos pelo aluguel de dez guarda-móveis usados para armazenar parte da mudança do ex-presidente Lula quando o petista deixou o Palácio do Planalto no segundo mandato. A empreiteira desembolsou entre janeiro de 2011 a janeiro de 2016, R$ 1,3 milhão pelos contêineres, ao custo mensal de R$ 22.536,84 cada.

Toda negociação com a transportadora Granero teria sido intermediada pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que indicou a OAS como pagante com o argumento de que a empreiteira é uma “apoiadora do Instituto Lula.” Para investigadores da Lava-Jato, os fatos demonstram “fortes indícios de pagamentos dissimulados” pela OAS em favor de Lula. Isso porque o contrato se destinava a “armazenagem de materiais de escritório e mobiliário corporativo de propriedade da construtora OAS Ltda”, mas na verdade os guarda-móveis atendiam a Lula.

Chegada

Lula chegou ao aeroporto Afonso Pena pouco depois das 9h30 desta quarta, em um avião particular. Os desembarques dele e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) motivaram a montagem de um esquema especial de segurança no terminal. Mais tarde, o petista deixou um hotel na capital paranaense e seguiu de carro até a sede da Justiça Federal. Ele desceu cerca de 50 metros antes do bloqueio colocado pela Polícia Militar, sendo recebido por manifestantes, que entoavam gritos em sua defesa.

O ex-presidente andou entre os manifestantes segurando uma bandeira do Brasil. Após passar pelo bloqueio, Lula acenou para os apoiadores e entrou em um carro para ser conduzido até o local do interrogatório. Ele estava acompanhdo dos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ). O presidente do Instituto do Lula, Paulo Okamotto, o aguardava no local.

Pedidos negados

A defesa de Lula tentou dois pedidos de liminar em habeas corpus para gravar em áudio e vídeo a audiência, mas o ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou. Foi negado também o pedido da defesa para suspender a tramitação de ação penal em que a defesa de Lula pedia acesso, por pelo menos 90 dias, a documentos para análise. O pedido de prazo seria para a apreciação das provas ligadas a Petrobras, anexadas recentemente aos autos. Quanto ao terceiro habeas corpus que pede a interrupção do andamento da ação penal, ainda não houve decisão, de acordo com o STJ.

Manifestações

Cerca de 5 mil manifestantes favoráveis ao petista, de acordo com a Polícia Militar, estão reunidos na praça Santos Andrade. Até o momento, não há registro de ocorrências no local. Há uma expectativa de que o ex-presidente vá à praça e participe do ato após o depoimento, mas a decisão será tomada por ele somente após o encerramento do interrogatório, dizem aliados.

Os manifestantes contrários ao ex-presidente estão concentrados em frente ao Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico. Segundo estimativas da PM, o ato conta com 100 participantes.

Durante a madrugada, o acampamento dos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MTST) foi alvo de ataque com fogos de artifício. Duas pessoas ficaram feridas, segundo os organizadores da manifestação.(Correio Braziliense)

Interrogatório de Lula por Moro termina após cinco horas

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